A reportagem dos repórteres Tatiana Dias e Paulo Motoryn, baseada em documentos internos da Meta , aponta ocorrência de problemas nos stories, comentários e busca que afetaram apenas o perfil de Lula, e não de seu concorrente na eleição, o senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ).
Na semana passada, a Folha revelou que funcionários da empresa admitiram, em mensagens internas, que a conta de Lula foi afetada por problemas e ficou prejudicada em relação ao perfil de Flávio. Funcionários também admitiram que foi feita recomendação algorítmica da conta de Flávio no Instagram e seu canal de apoio no WhatsApp , prática vedada pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ).
Em comunicado divulgado em 16 de outubro, após a publicação da matéria da Folha , a Meta afirmou que não está interferindo nas eleições brasileiras e disse que os episódios relatados eram "incidentes técnicos".
A reportagem da Control+Z mostra que um relatório interno datado de 19 de outubro registra ao menos seis problemas classificados como de alta prioridade relacionados à conta de Lula e que ainda estavam abertos no Instagram e no aplicativo Meta AI. Ainda segundo a organização, de terça (20) a quarta (21), funcionários voltaram a relatar problemas envolvendo a busca pelo perfil de Lula e anúncios.
Os problemas, que afetaram apenas a conta de Lula e não a de Flávio Bolsonaro, incluem comentários que não apareciam, stories que duravam apenas seis segundos ao serem compartilhados, e o perfil de Lula não aparecer na busca.
Em todos os casos, segundo a CTRL+Z, funcionários estavam cientes de que os problemas violavam a lei eleitoral e mostraram preocupação com eventuais punições do TSE, que proibiu a Meta de discriminar candidaturas sob pena de uma multa de R$ 500 mil por dia (depois, elevada para R$ 1 milhão por dia). Até agora, a Meta não foi punida.
Um dos episódios citados na reportagem envolve o mecanismo de busca do Instagram. Entre 6 e 10 de outubro, a empresa identificou que uma regra técnica exigia a correspondência de pelo menos cinco caracteres para localizar contas de candidatos. Como o nome "Lula" tem apenas quatro letras, a busca pelo nome do presidente não apresentava seu perfil como deveria.
Nas mensagens internas acessadas pela Folha e citadas em reportagem publicada em 16 de outubro, funcionários afirmavam que o problema havia sido resolvido.
Mas, segundo a CTRL+Z, os registros mostram que a falha persistiu após essa data.
Outro problema identificado no relatório a que a CTRL+Z teve acesso atingiu o compartilhamento de vídeos publicados pelo presidente. Em 16 de outubro, a Meta registrou uma falha que fazia com que vídeos de Lula fossem reduzidos a apenas seis segundos quando compartilhados nos stories do Instagram.
Em seu comunicado de 16 de outubro, a Meta disse que não toma partido em nenhuma eleição e que são "falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político". "Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos", disse. "Não suprimimos conteúdo para prejudicar um lado nem damos tratamento preferencial a qualquer lado."