Segundo ele, o petista terá no máximo um mês para dar as sinalizações necessárias e retomar a credibilidade junto ao mercado financeiro, que já reage mal à reeleição a partir desta segunda-feira (26) . A aposta do mercado era que o senador e candidato Flávio Bolsonaro ( PL ), derrotado nas urnas, seria eleito e reuniria melhores condições de reequilibrar as contas do país.
Uma primeira sinalização importante será a indicação de um novo ministro da Fazenda , afirma o economista. Para ele, a formação de uma nova equipe econômica pode ajudar a criar uma perspectiva de mudança e dar a Lula o "benefício da dúvida", algo que ele não terá caso decida manter o time atual.
"Qualquer um que ganhasse teria que dar uma sinalização em 2026 ainda, nesses dois meses que faltam. Só que a sinalização do Flávio poderia ser muito mais tênue, considerando que não é governo. No caso da vitória do Lula, essa sinalização vai ter que ser bastante forte. Vai ter que ter uma indicação de um Orçamento, de uma busca mais contundente do resultado previsto", afirmou.
"É impossível recuperar a credibilidade da política fiscal com uma equipe mais ou menos como essa que está aí? Não, não é impossível, mas o custo é muito mais alto. Precisa entregar muito mais. Ele [Lula] poderia ter o benefício da dúvida caso ele apresentasse um nome diferente dos que hoje formam e formaram a equipe econômica [no terceiro mandato]", acrescentou.
O ex-secretário ressalta que as sinalizações sobre a nova equipe econômica passam, inclusive, pela nomeação dos novos diretores do Banco Central. Hoje, duas cadeiras estão vagas aguardando indicação, e outras duas ficarão abertas em 28 de fevereiro de 2027.
Em agosto, o governo enviou o PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 com uma previsão de superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões , já incluindo nessa conta as despesas que ficam fora das regras fiscais.
Ao longo da campanha, porém, o petista adotou medidas e fez promessas que ainda não estão contempladas na proposta, como o perdão de dívidas a microempreendedores , o Pix de R$ 5.000 para MEIs , a ampliação do teto de faturamento para se enquadrar na modalidade, o reajuste do Bolsa Família , a tarifa zero aos fins de semana no transporte público urbano e a compra de dívidas antigas de pessoas físicas .
Ao todo, as medidas podem representar até R$ 45,6 bilhões em despesas extras, e o governo calcula que será necessário abrir espaço de aproximadamente R$ 20 bilhões para acomodá-las —o saldo restante seria contemplado dentro das próprias rubricas ou compensado pela estimativa menor de gastos com benefícios previdenciários.
O governo ainda precisará excluir cerca de R$ 8 bilhões em receitas com as quais contava e não terá mais, entre elas a tributação das bets, proibidas por uma MP (medida provisória) editada por Lula .
Tais impactos serão incorporados pelo Executivo por meio de uma mensagem modificativa ao PLOA, documento em que o governo altera a sua proposta original. Para Bittencourt, o Executivo precisará "trazer a realidade mais firmemente" nesse documento, o que inclui também reconhecer que a desaceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deve retirar mais alguns bilhões da arrecadação.