Contrato permitiria à Tencent usar chips da Nvidia que não estão disponíveis na China
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Londres, Hong Kong (China), Nova York e Washington | Financial Times A Oracle cancelou um contrato bilionário de aluguel de chips com a Tencent após ceder à pressão do governo de Donald Trump , em um sinal do aumento das tensões envolvendo empresas americanas de computação em nuvem que atendem companhias chinesas de IA ( inteligência artificial ).
A empresa californiana, liderada pelo bilionário Larry Ellison , apoiador de Trump, havia firmado um contrato de cinco anos com a gigante chinesa de tecnologia para oferecer acesso a até 100 mil chips avançados de inteligência artificial em diversos data centers no Sudeste Asiático.
Estimado em US$ 7 bilhões (R$ 38,36 bilhões), o contrato seria o maior acordo de aluguel de capacidade de computação da Tencent no exterior. Ele permitiria à empresa acessar chips cujo uso na China é proibido por restrições impostas por Washington e Pequim.
Segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto, autoridades americanas procuraram a Oracle para manifestar preocupação com o acordo com a Tencent. A empresa chinesa também recebeu visitas de altos funcionários da província de Guangdong, onde está sediada. Eles pediram que a gigante de tecnologia apoiasse os fabricantes nacionais de chips, segundo uma das fontes.
O acordo acabou cancelado, acrescentaram as pessoas.
Oracle, Tencent e Casa Branca não responderam a reportagem.
O episódio evidencia as dificuldades crescentes enfrentadas por grandes empresas americanas e chinesas para desenvolver inteligência artificial, em um momento em que os dois países buscam se consolidar como a principal potência tecnológica mundial.
A escassez de oferta doméstica e o endurecimento dos controles americanos de exportação levaram empresas chinesas de tecnologia a buscar maior capacidade de processamento no exterior. Esses contratos de aluguel também podem dar acesso a processadores avançados da Nvidia que não estão disponíveis na China.
Gigantes chinesas de tecnologia e laboratórios que desenvolvem modelos avançados de IA recorrem a esses recursos especialmente para treinar seus sistemas, tarefa que os chips produzidos no país ainda não conseguem executar adequadamente.
Embora os contratos de aluguel de capacidade no exterior sejam permitidos pelas regras atuais, empresas americanas enfrentam pressão crescente para reduzir sua exposição a clientes chineses. O Financial Times noticiou na terça-feira (3) que a Nvidia informou a clientes de computação em nuvem que eles agora precisam vender pelo menos 51% de seus serviços a empresas de fora da China .
Enquanto a Tencent amplia sua atuação por meio de contratos bilionários de aluguel, ByteDance e Alibaba continuam sendo as maiores clientes de data centers no Sudeste Asiático.
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A Oracle é uma importante fornecedora da ByteDance na Ásia , com vários data centers na Malásia. A empresa também armazenava dados de clientes americanos da rede social TikTok, controlada pelo grupo chinês, antes de integrar um consórcio que adquiriu as operações do aplicativo nos Estados Unidos no fim do ano passado.
A demanda de empresas chinesas de inteligência artificial por capacidade de processamento no Sudeste Asiático se intensificou com o endurecimento dos controles de exportação, que impedem a entrada de chips avançados da Nvidia na China por meio de países intermediários. Isso elevou os preços, ampliou os prazos dos contratos e aumentou os pagamentos antecipados exigidos nos acordos de aluguel de data centers.
Os investimentos da Tencent em infraestrutura dispararam no último ano, enquanto a empresa busca reduzir sua defasagem em inteligência artificial. Os modelos mais recentes da família Hunyuan, desenvolvida pela gigante chinesa, apresentaram avanços expressivos de desempenho e reduziram a distância em relação a modelos nacionais de ponta, como o Qwen, da Alibaba.