No que seria um balanço parcial da operação, Castro criticou o presidente Lula (PT), as forças federais, o Ministério da Defesa e chamou de "maldita" a ação executada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que aumentava o rigor sobre as incursões policiais em comunidades.
Àquela altura, a polícia contabilizava 18 suspeitos mortos, 81 presos e dois policiais civis mortos. O tiroteio continuou à tarde e à noite, corpos na mata foram encontrados na madrugada e aquela ação policial se tornou a mais letal da história do Brasil, com 122 mortos.
Três personagens de liderança daquela operação —dois ex-secretários e um delegado baleado no tiroteio — foram eleitos para cargos no Legislativo no último dia 4 de outubro. Castro, que à época tinha planos de concorrer ao Senado, acabou desgastado por prisões de aliados, desistiu do pleito e se tornou inelegível por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O ex-secretário de Polícia Civil, Felipe Curi (PP), foi eleito deputado federal. O ex-secretário da PM, coronel Marcelo Menezes (PL), e o delegado Bernardo Leal (PP) foram eleitos deputados estaduais.
A policial militar Monique Busson (PSDB), que ganhou visibilidade na internet por ter participado da operação, foi candidata a deputada federal, mas não se elegeu.
Castro foi procurado para comentar o resultado político da operação Contenção. A tentativa de contato foi feita na segunda-feira (19), por meio de mensagem à assessoria de imprensa, que não respondeu.
Para aliados dos eleitos ouvidos pela Folha , o êxito das autoridades no pleito envolve a estratégia adotada pela cúpula da polícia fluminense: disputar o controle do que se diz sobre a operação, com vídeos em tom de opinião e politização do tema da segurança pública.
A operação foi politizada logo nas horas seguintes. Tratada como "um sucesso" por Cláudio Castro, foi chamada de "matança" e "desastrosa" por Lula. O então governador alcançaria os maiores índices de aprovação pelo Datafolha após a operação. A ação foi também considerada sucesso para 57% dos moradores nos dias seguintes.
Até a eleição, protagonistas da operação Contenção investiram em participações em podcasts e comentários políticos nas redes sociais. Os três eleitos apoiavam Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio, no dia seguinte à operação, ironizou os 117 mortos. Ao comentar foto da fila de corpos na praça São Lucas, na Penha, disse que esses não iam mais "traficar, roubar e matar".