OpenAI lança ofensiva para convencer eleitores sobre data centers

Após vitória dos democratas, startup tenta aproximar comunidades e promete fim do sigilo em acordos

Por Admin ·

OpenAI lança ofensiva para convencer eleitores sobre data centers

Empresa promete gerar empregos e liberar acesso a projetos para mudar visão de moradores

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San Francisco (EUA) | Reuters As vitórias expressivas dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA nesta semana foram interpretadas por muitos como um repúdio dos americanos aos planos da indústria de tecnologia de construir data centers por todo o país. Diante disso, a OpenAI deu início a novas estratégias para tentar mudar a opinião pública.

O laboratório de IA apresentou nesta quinta-feira (5) um conjunto de diretrizes —em elaboração desde agosto— destinadas a ajudar a empresa a construir mais confiança com as comunidades locais e convencê-las de que os data centers trarão benefícios a elas.

A OpenAI afirmou que não utilizará mais acordos de confidencialidade com autoridades públicas ao negociar ou discutir futuros locais de instalação, embora informações proprietárias sigam sob sigilo. A empresa afirma que também garantirá aos moradores acesso aos planos de construção e aos seus potenciais impactos sobre o trânsito, o ruído e a iluminação.

O diretor de assuntos globais da OpenAI, Chris Lehane, disse ainda que essas instalações serão fontes de empregos permanentes, uma vez que os equipamentos de hardware dentro dos data centers precisam ser atualizados a cada três ou cinco anos.

"Esses projetos não são o tipo de data centers em que as pessoas historicamente pensavam —uma espécie de caixa-preta em um terreno vago que trazia pouquíssima utilidade econômica para as comunidades onde estava inserida", afirmou ele a jornalistas.

Uma das instalações da OpenAI no sul do Ohio deve criar 2.500 empregos de longo prazo, com salário médio anual de US$ 80 mil (R$ 437,36 mil), disse ele.

Parceiras como a Oracle constroem e detêm a propriedade de grande parte da infraestrutura de data centers da OpenAI, com a capacidade dedicada à startup.

Em algumas das maiores zebras das eleições, os democratas conquistaram os governos de Texas, Geórgia e Ohio com candidatos que prometeram pausar a emissão de novas licenças para data centers e endurecer as regras para construção.

Além disso, das 41 propostas submetidas a votação direta sobre o tema nesta semana, todas —com exceção de uma— resultaram em derrotas para os data centers, de acordo com o site especializado Ballotpedia.

As ações de operadoras de data centers e de empresas de energia, que estavam entre as maiores beneficiadas pelo boom de investimentos em IA, despencaram na quarta-feira (4), com investidores apostando que a onda democrata pode trazer licenciamentos mais rigorosos, custos mais elevados e um ritmo de construção mais lento.

"Precisamos fazer um trabalho melhor para comunicar de fato às pessoas, às comunidades locais, os motivos pelos quais os data centers podem ser benéficos para elas", afirmou o presidente da OpenAI, Greg Brockman, em um evento separado na quarta-feira (4).

Executivos da OpenAI, juntamente com muitos de seus pares do setor de tecnologia , passaram os últimos dois anos tentando estreitar laços com o governo do presidente Donald Trump na esperança de moldar as políticas federais voltadas à IA.

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, doou US$ 1 milhão (R$ 5,48 milhões) para o comitê de posse de Trump e posteriormente compareceu à sua segunda cerimônia de posse. No ano passado, Brockman doou US$ 25 milhões (R$ 136,67 milhões), em caráter pessoal, para um super PAC de apoio a Trump.

Questionado sobre como a empresa pretende enfrentar o ceticismo de parte dos democratas, Lehane destacou sua vasta experiência no partido. Durante o governo Clinton, ele atuou como advogado sênior e porta-voz, além de ter sido secretário de imprensa do vice-presidente Al Gore na campanha presidencial deste último.