Onde está a Sueli? Arara monitorada reaparece na Floresta da Tijuca após fuga; equipe tenta fazer recaptura

A arara-canindé Sueli, que participa do projeto de reintrodução da espécie no Parque Nacional da Tijuca (PNT), reapareceu por volta das 8h desta quarta-feira (28), perto do recinto de aclimatação onde estava, dentro da floresta. Ela não era

Por Admin ·

Onde está a Sueli? Arara monitorada reaparece na Floresta da Tijuca após fuga; equipe tenta fazer recaptura

A arara-canindé Sueli, que participa do projeto de reintrodução da espécie no Parque Nacional da Tijuca (PNT), reapareceu por volta das 8h desta quarta-feira (28), perto do recinto de aclimatação onde estava, dentro da floresta. Ela não era vista desde o fim da tarde de terça-feira, quando escapou do recinto de aclimatação onde vive, o que mobilizou pesquisadores e motivou um pedido de ajuda à população através das redes sociais.. A equipe do parque já conseguiu oferecer alimentos e mantêm contato visual com ela, mas ainda trabalha para recapturá-la.

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Segundo Lara Norberto Renzeti, bióloga, mestre em ecologia e coordenadora de campo do Refauna, Organização da Sociedade Civil (Osc) que atua na reintrodução de animais nativos da Mata Atlântica no parque, Sueli saiu antes da instalação de um rastreador que seria testado pela equipe. Sem o equipamento, os relatos da população se tornam a principal ferramenta para acompanhar seus deslocamentos caso os pesquisadores percam contato visual com ela. Quem avistá-la pode informar sua localização pelo WhatsApp (21) 96974-4752. Sueli está identificada com um colar com o número 003, parcialmente escondido sob as penas, com aparência de meia-lua.

— Daqui a dois dias iríamos testar o rastreador que ajudaria a fazer o monitoramento das araras, mas como a Sueli fugiu antes, em caso de perda de contato visual com ela, a ajuda da população será importante para sabermos se saiu dos domínios do parque e foi para a área urbana — diz Lara.

Sueli escapou depois que uma árvore de grande porte caiu sobre o recinto onde estava com mais três aves durante fortes chuvas, o que danificou parte da estrutura e abriu uma passagem. Segundo o Refauna, que atua na reintrodução de animais nativos em remanescentes de Mata Atlântica e é responsável pelo projeto em parceria com o parque, as outras araras estão bem e a abertura já foi fechada.

O impacto quebrou uma viga de metal e abriu uma passagem na tela por onde Sueli conseguiu sair. A abertura já foi fechada, e outras três araras permanecem no local. A equipe avalia a necessidade de reforma da estrutura.

Após a fuga, a equipe conseguiu acompanhar os deslocamentos de Sueli por algum tempo, mas depois a perdeu de vista. A possibilidade de que ela deixasse os limites do parque e chegasse a bairros do entorno levou a organização a pedir a colaboração de moradores, trabalhadores e frequentadores da região para localizá-la.

As quatro aves estavam na etapa de aclimatação, uma adaptação gradual ao ambiente que inclui treinamentos e mudanças na alimentação para prepará-las para os recursos disponíveis na floresta. Uma nova soltura estava prevista para novembro.

O trabalho vai além de devolver um animal à natureza. A proposta do Refauna é restabelecer no Rio uma população de araras-canindés, espécie que ocorria na cidade e foi extinta localmente.

— A reintrodução é um processo em que a gente coloca uma espécie em determinado local onde essa espécie já ocorreu no passado, mas foi localmente extinta. E esse é o caso da arara-canindé no Rio de Janeiro — explica Lara.

Uma primeira soltura experimental foi realizada em janeiro deste ano, com três aves. O objetivo era identificar riscos e oportunidades do processo. Na ocasião, porém, elas não utilizaram a alimentação suplementar oferecida pela equipe e procuraram pessoas quando sentiram fome. Encontradas fragilizadas, foram recapturadas.

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Desde então, o projeto adotou treinamentos de aversão à presença humana e modificou a rotina de manejo. Os profissionais passaram a usar roupas que disfarçam o formato do corpo e a cobrir o rosto. A alimentação é fornecida de forma indireta, por uma bandeja suspensa, sem que seja necessário entrar no recinto.

Com Sueli novamente em liberdade, a equipe observa se essas mudanças ajudaram na adaptação. Até o momento da entrevista, a arara se mostrava cautelosa diante dos pesquisadores e não havia descido ao chão. Ainda é cedo, no entanto, para concluir se o comportamento será mantido quando ela sentir fome.

— A prioridade é a gente conseguir acompanhar se ela está saudável, se ela está usando a floresta de uma forma que seja sustentável no longo prazo — afirma a coordenadora.

Caso seja necessário recapturá-la, a equipe pretende aproveitar a oportunidade para instalar o rastreador.

O retorno das araras-canindés faz parte de um esforço para recuperar a fauna e os processos naturais que permitem à floresta se regenerar. Ao se alimentar de frutos e percorrer longas distâncias, essas aves transportam e dispersam sementes, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para a diversidade da vegetação.

Segundo o Refauna, cerca de 90% das espécies de plantas da Mata Atlântica dependem de animais para dispersar suas sementes. A perda da fauna, portanto, compromete também a renovação da mata.

É para contribuir para o equilíbrio ambiental que é feita a refaunação, com a reintrodução de espécies que desapareceram de determinada região. Há mais de uma década, o Refauna trabalha para devolver ao Parque Nacional da Tijuca animais como cutias, bugios e jabutis.

Agora, o projeto prepara a volta das araras-canindés, de nome científico Ara ararauna . Segundo a organização, a espécie está extinta na cidade há mais de um século. Com a reintrodução, a expectativa é que estas aves voltem a ocupar a floresta e a contribuir para sua regeneração.

Quem quiser apoiar a reintrodução das araras-canindés pode contribuir com a campanha do Refauna na plataforma Benfeitoria, por Pix ou escolhendo uma das modalidades com recompensas. Os recursos ajudam a custear alimentação, monitoramento, compra de equipamentos e ações de comunicação e engajamento comunitário para apoiar o retorno das aves à Floresta da Tijuca.