"Esqueçam o que não foi escrito" seria a versão no império bolsonarista. Traduz o alívio dos omissos poupados da crítica.
Gilmar Mendes escreveu nas redes que o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral assegurou nas eleições de 2026 uma disputa "dentro das regras do jogo democrático".
"De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", pontificou o decano.
O presidente do TSE , Kassio Nunes, suspeito de beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro , não foi citado nominalmente por Gilmar.
Foram exemplares no TSE os votos do corregedor-geral eleitoral, Villas Boas Cueva (que derrubou censura de Kassio ao canal "Exército de Lula"), e do ministro Floriano de Azevedo Marques Neto (com duras críticas a Kassio).
O desembargador Alfredo Attié, presidente da Academia Paulista de Direito, diz a este colunista que a crítica direta de Gilmar ao presidente do TSE "busca, corretamente, apontar que a escolha de juízes é essencial na democracia".
"A escolha deve ser cuidadosa, possibilitando o controle democrático. Devem ser reconhecidos o saber jurídico e a conduta republicana ."
No Senado, que avalia a trajetória e o notório saber dos indicados a ministro, Kassio foi beneficiado por sabatinas combinadas .
Senadores fizeram "media training", questionando o candidato em reuniões sociais.
Na opinião de um membro do Ministério Público ouvido por este colunista, o comentário de Gilmar é pertinente. Mas o uso de redes para criticar não resolve o desgaste da autoridade moral do STF, diz.