Uma fazenda na ilha de Bornholm, na Dinamarca, encerrou as inscrições para voluntários até abril de 2027 após receber grande procura por uma oferta de hospedagem gratuita em troca de trabalho no local.
Anunciado na plataforma Workaway, o programa é organizado pelo casal Susan e Finn. A propriedade fica perto da costa e abriga uma horta orgânica, quatro cavalos, dois porcos Kunekune, quatro ovelhas, sete patos, galinhas, dois cachorros e dois gatos.
A permanência mínima é de duas semanas. Os anfitriões dizem preferir pessoas que viajem sozinhas e possam ficar por períodos mais longos. Entre as tarefas estão retirar ervas daninhas, cuidar do cultivo, alimentar os animais, pintar, fazer reparos, construir cercas e caminhos de pedra e ajudar na manutenção da casa. Algumas atividades podem exigir esforço físico.
Em troca, os participantes têm acesso a quartos compartilhados: um espaço grande para quatro pessoas, dois quartos duplos e um quarto individual. O casal também empresta bicicletas e, em algumas situações, um carro. O combustível fica por conta do voluntário. Susan e Finn falam dinamarquês e inglês.
Inscrição e regras para brasileiros
Para entrar em contato com os proprietários, é necessário criar uma conta no Workaway e pagar uma anuidade individual de US$ 69. A plataforma informa que os anfitriões costumam responder em aproximadamente 18 dias.
Brasileiros podem viajar à Dinamarca sem visto prévio para turismo ou negócios por até 90 dias no Espaço Schengen. Para períodos superiores, é exigida autorização de residência ou visto de longa permanência, identificado como Type D. A autorização eletrônica de viagem ETIAS está prevista para começar no último trimestre de 2026 e deverá ser exigida de brasileiros que viajarem sem visto, inclusive quando a fazenda voltar a aceitar candidaturas em 2027.
A principal restrição, porém, envolve a natureza da atividade. De acordo com a agência de imigração dinamarquesa SIRI, o voluntariado isento de autorização de trabalho é aquele realizado para ONGs ou instituições beneficentes formalmente constituídas. A troca de mão de obra por hospedagem e alimentação em propriedades privadas é considerada trabalho.
Por isso, entrar no país como turista para trabalhar em uma fazenda particular por meio do Workaway pode violar as regras de imigração. Sem a autorização adequada, o viajante corre o risco de ter a entrada recusada e ser deportado. A própria plataforma orienta pessoas de fora da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu a verificar previamente a necessidade de visto de trabalho.