Recém-publicado no Brasil, o romance "O Tibar" narra a extraordinária relação entre um homem e um camelo. É a obra-prima do escritor líbio Ibrahim al-Koni .
Al-Koni nasceu em 1948 no Saara. Cresceu entre os tuaregues —povo tradicionalmente nômade— falando a língua deles. Foi só por volta dos 12 anos que aprendeu árabe.
Sua obra é excepcional por, entre outras coisas, sorver de um substrato cultural norte-africano e saariano que muitas vezes desaparece sob o rótulo abrangente de " literatura árabe". Seus personagens parecem habitar um mundo próprio, pautado pelo ritmo dos desertos e dos oásis.
Do autor, a editora Tabla já havia publicado o romance "O Tumor", traduzido por Mamede Jarouche, uma parábola sobre a autocracia. Agora, lança mais dois de uma vez, "A Pedra que Sangra" e "O Tibar".
Desse catálogo, é "O Tibar" que ocupa lugar central na obra de al-Koni. O romance de 1990 tem uma qualidade peculiar, quase incômoda. É desses livros que raramente aparecem —como o mahri de Ukhayyad.