A em exibição aqui seria uma cópia feita pelo próprio Caravaggio. Estava em um museu de Odessa, de onde a roubaram em 2008. Reencontrada em Berlim, voltou à Ucrânia , mas veio para cá quando das primeiras bombas russas.
Ela mostra a aflição de um apóstolo, o remorso de Judas no momento mesmo do beijo da traição, o desalento do Nazareno, os soldados romanos sem rosto e o próprio Caravaggio, autorretratado levantando a lanterna que ilumina a cena. De drama mais humano que religioso, o quadro prefigura a briga de rua em que o colérico pintor, quatro anos depois, enfiou a espada na virilha de um rival que sangrou até a morte.
Quarta-feira. Para os estrangeiros, diz o historiador Carlo Ginzburg numa carta a Perry Anderson, a Itália está repleta de vestígios pré-capitalistas na paisagem, na gastronomia, nos costumes.
Já para Stendhal, a Itália escapou à dinâmica que levou os franceses à vaidade obsessiva, os ingleses à monotonia e os americanos à compulsão por dinheiro. Por isso tudo, tomar um aperol na Piazza Maggiore de Bolonha é o que há.