Lá atrás, a intenção de reunir os filhos de uma nação recém-criada n ão evitou a exclusão de mulheres, negros, escravizados e criminosos da vida pública . Mais tarde, legisladores procuraram estender a proteção constitucional para grupos sem capacidade de representar a si mesmos. E assim o povo, fonte emanadora do poder numa democracia, tornou-se essa ideia longeva que nos acompanha.
Pensando nisso, olho para as guinadas eleitorais dos últimos dias. Aconteceram no Brasil, quando o presidente Lula desbancou seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro , por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Essa vantagem numérica tornou-se, ato contínuo, recipiente da vontade do povo brasileiro.
Aconteceram também nos EUA, com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato. Isso altera o comando das Casas do Congresso, impondo limites a um presidente autoritário, cujo despreparo político e o ego inflado fundem-se numa combinação negativa, geradora de reprovação. Portanto, seja no Brasil ou nos EUA, guinadas eleitorais expressaram a vontade de um rechaço social, sendo capazes de mudar a cara dos países em questão de dias ou horas.