Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 64 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro ( PL ), ou 48,21%. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08 do domingo.
O silêncio do presidente americano, Donald Trump , contrasta com a rapidez de Washington em pleitos anteriores e com a reação de vários líderes estrangeiros, entre eles governantes de direita da América Latina , que já cumprimentaram Lula e reconheceram o resultado das urnas no Brasil.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que a demora de Trump em reconhecer o resultado pode refletir uma "frustração política" e que o presidente americano "pode estar digerindo uma derrota política para um aliado".
Desde a volta de Trump à Casa Branca, uma série de presidentes de direita ou próximos a ele foram eleitos na região. A vitória de Lula interrompe essa sequência e frustra a expectativa de alinhamento regional atribuída a Washington.
Em 2002, 2014, 2018 e 2022, Washington reconheceu o vencedor da eleição brasileira com rapidez.
Em 2022, Joe Biden parabenizou Lula por uma vitória em eleições "livres, justas e confiáveis", antes mesmo de Jair Bolsonaro admitir formalmente a derrota.
Na eleição anterior, em 2018, Trump ligou para Bolsonaro na noite do domingo do segundo turno. Em 2014, Barack Obama felicitou Dilma Rousseff (PT) no dia seguinte à votação. Em 2002, George W. Bush telefonou a Lula cerca de um dia depois da eleição.
"Sim, é muito significativo. Ele deveria ter sido o primeiro", afirmou à BBC News Brasil Christopher Sabatini, pesquisador sênior para América Latina do centro de estudos Chatham House, em Londres.