Urbanistas e planejadores podem, por meio do planejamento, transformar o estilo de vida e as condições em que as pessoas vivem e trabalham —aspectos determinantes para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos habitantes urbanos.
Saúde pública e planejamento urbano são áreas com uma forte ligação. A expectativa de vida, bem como a saúde física e mental da população, são fruto da forma como a cidade é planejada, operada e construída. Planejamento e saúde têm estado historicamente relacionados, tendo como objetivo a criação de ambientes urbanos saudáveis.
Essa associação não é recente. O planejamento urbano já foi utilizado como forma de conter surtos de doenças infecciosas em cidades que, no século 19, estavam em processo de industrialização. Nessa época, as ações de planejamento envolviam melhorias no saneamento e nas habitações, além da implantação do conceito de separação entre áreas residenciais e fontes de poluição industrial —conceito que até os dias de hoje está presente em algumas cidades.
Cidades bem planejadas têm o potencial de reduzir doenças crônicas oriundas da vida urbana e traumas decorrentes de acidentes de trânsito , além de promover a saúde e o bem-estar de forma mais ampla. Sistemas de transporte eficientes, por exemplo, reduzem o uso de automóveis, os acidentes de trânsito e as emissões de gases de efeito estufa.
A implantação de parques, árvores e espaços abertos reduz as ilhas de calor urbanas e tem consequências importantes na melhoria da saúde da comunidade.
Estudos têm demonstrado que o acesso à natureza ameniza transtornos de saúde mental, melhora a função cognitiva e ajuda a lidar com o estresse da vida cotidiana. A exposição precoce a áreas verdes em crianças de quatro a seis anos melhora o reconhecimento visual e a memória, além de reduzir os níveis de hiperatividade.
Para incentivar a atividade física diária, reduzindo as taxas de obesidade, diabetes e doenças cardíacas, é importante um desenho urbano favorável à mobilidade a pé, com o estímulo à criação de bairros de uso misto e ciclovias seguras.
Para adotar uma abordagem proativa em relação à saúde, planejadores urbanos e formuladores de políticas públicas devem utilizar AIS (Avaliações de Impacto na Saúde) para compreender melhor os efeitos de diversos fatores urbanos no bem-estar da população.
Essas AIS podem ser efetuadas por meio de ferramentas que incluem, entre outras: avaliação quantitativa de risco, medindo, por exemplo, a exposição exata a poluentes atmosféricos ou ao ruído do tráfego; modelagem de cenários, simulando o impacto de alterações na cidade; além do mapeamento de vulnerabilidades espaciais e do acesso a equipamentos de saúde e áreas verdes.
Essas avaliações de impacto devem ser associadas a modelos de monitoramento em nível local.
A medição de dados sobre o impacto na saúde ainda não é uma prática padronizada no planejamento urbano. Entretanto, a coleta de dados sobre os impactos diretos e indiretos na saúde e no bem-estar é fundamental para compreender os efeitos do planejamento urbano na saúde pública.
Nos últimos anos, diversos estudos examinaram atentamente a relação entre o planejamento urbano e a saúde. Os resultados revelam que, embora os profissionais reconheçam essa ligação, existem problemas relacionados à identificação de evidências, à formulação de metodologias e à aplicação dos conceitos, sendo necessários maiores avanços para superar a lacuna de conhecimento existente entre teoria e prática.