O microfacismo como pandemia global

Deleuze e Guatari, a propósito, formulam uma intrigante indagação: "Somente o microfascismo oferece uma resposta à questão global: por que o desejo deseja sua própria repressão?" Essa questão —de cunho quase psicanalítico— é relevante porqu

Por Admin ·

O microfacismo como pandemia global

Cuida-se de uma força velada, que não atua apenas repressivamente, pois não se resume a proibir e castigar. Sem que as pessoas percebam, ela produz saberes, dita normas e determina atitudes, seja pela autoridade, persuasão ou força. Opera por meio da disciplina e vigilância em instituições como lares, escolas, igrejas, empresas, quartéis, hospitais, prisões, fábricas, clubes etc., onde são controlados horários de trabalhar, conversar, rezar, descansar, comer, dormir e acordar, estabelecendo, assim, aquilo que é considerado normal ou desviante.

Essa ideia tem a ver com a difusão generalizada do fascismo nos tempos atuais, um movimento político surgido na Itália, depois da Primeira Guerra Mundial e que logo se disseminou por todo o planeta.

Corresponde a um projeto de poder, que estimula a submissão e o conformismo por meio da violência real ou simbólica. Caracteriza-se pelo ultranacionalismo, autoritarismo, ódio ao diferente, culto ao líder, assédio aos opositores, desprezo ao pluralismo, cerceamento de direitos e desprezo à democracia.

Nos dias que correm, o fascismo pouco mudou. Atua de modo semelhante, porém mais dissimulado: ataca a legitimidade das eleições , mina a autonomia judicial, cerceia a liberdade de imprensa e desumaniza os grupos minoritários. Especializa-se em fomentar o ódio e a polarização, sobretudo mediante o emprego eficiente das mídias digitais, cujos controladores estão sediados em outros países, fora do controle das autoridades locais.