Janones quebrou a escrita segundo a qual o uso das redes sociais era um privilégio da direita. Ele e seu exército foram parar nas páginas do The New York Times , The Guardian e Le Monde . Seu modelo de ativismo está sendo replicado em vários países.
Quando Janones botou seu canal no ar, em abril passado, fazia-se pouca fé nele, mas a iniciativa juntou-se a um despertar do movimento estudantil. A garotada foi para a rua ecoando os caras-pintadas que ajudaram a derrubar Fernando Collor de Mello. (Vale registrar que Collor cumpre em casa uma pena de oito anos e dez meses de prisão domiciliar por corrupção.)
Combativos, jovens e mobilizados, os soldados do "Exército de Lula" ecoaram a garotada de 1968. Com uma diferença: em 1968 não existiam o celular nem a internet . A ação do "Exército do Lula" mobilizou os jovens. Desde o primeiro momento reconheceu-se a importância do exército de Janones na virada de Lula. Para surpresa geral, o deputado não quer ser ministro.
Sinal dos tempos: Ser ministro, que outrora foi o coroamento de uma carreira política, hoje, em muitos casos, é uma chatice. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência, por exemplo. Serve para cevar caçadores de verbas publicitárias. Seu titular serve de para-raios. A educação vai mal? A Secom está trabalhando mal, como se uma coisa tivesse a ver com a outra. Se ele não promove um ministro, trabalha mal. Se promove, provoca ciúmes.
Os militantes de causas sociais perdem musculatura ao virarem ministros, veja-se o caso de Guilherme Boulos . De militante de causas populares, passou a ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele trabalha, mas a burocracia afoga-o.
O senador Vitorino Freire (1908-1977) dizia que só aceitava o Ministério do Exército, pois os demais eram enfeites.
Janones ficará na Câmara e à frente de seu "Exército do Lula", a esta altura com 10 milhões de seguidores. É natural que esse número caia, mas numa emergência ele pode reaparecer. Indo-se aos primórdios, quando o PT ralava com patranhas como a do "kit gay " explorado à saciedade por Jair Bolsonaro . A quantidade de mentiras usadas na eleição de 2018 talvez nunca venha a ser superada.
O eleitorado ficou esperto e iniciativas como a do "Exército do Lula" inibem vigarices.
Janones tornou-se o símbolo da vitória de Lula 4.0. Ficaram para trás episódios nebulosos, como uma rachadinha com dois servidores. O deputado reconheceu o malfeito, fez um acordo, e devolveu R$ 131,5 mil. Sua carreira parlamentar foi bisonha. Contudo, ele mostrou que foi um inovador e que conhece o caminho das pedras.