O dia depois de amanhã: economia difícil e um presidente impopular

Luiz Inácio Lula da Silva 3 e Jair Bolsonaro jamais obtiveram nota "ótimo ou bom" de mais do que 38% do eleitorado, pelos dados do Datafolha . A popularidade presidencial varia de modo amplo. Presidentes que atingiram aprovação maior do que

Por Admin ·

O dia depois de amanhã: economia difícil e um presidente impopular

Mas: 1) Chegaram a ter prestígio muito maior do que Lula 3 e Bolsonaro, ressalte-se; 2) Não contavam desde o início e por quase o mandato inteiro com a desaprovação de um terço do eleitorado ou muito mais (aquele que dá nota "ruim ou péssimo"). Foi o caso de FHC 1, Lula 1 e 2, Dilma 1.

A impopularidade de FHC 2 e de Dilma 2 pode ser explicada por crises agudas, graves ou até pontuais. A insatisfação crônica e o mal-estar difuso com Lula 3 e Bolsonaro parecem de outra espécie. Talvez se devam à " polarização ", para usar termo impreciso, mas sintético. Talvez se devam a danos socioeconômicos da década de crises e sequelas (2014-2023): alto custo de vida, dívida, degradação do trabalho, expectativa baixa de mobilidade social, novas aspirações. Ou à política depravada por algoritmos. Ou a tudo isso. O fenômeno não é local e está associado também à ascensão da extrema direita . É clara a dificuldade de reeleição de governos pelo mundo, faz quase década.

A eleição presidencial deste 2026 vai repor a situação desta nova era de extremos, com a votação dividida. É provável que o novo governo comece com aprovação limitada, sob crise difusa e política conflituosa.

O ano de 2027 será difícil na economia, com piora do nível de vida (salário, emprego e benefícios sociais ao menos contidos), com risco de recessão. A disputa por recursos públicos será profunda. Um Lula 4 estará politicamente emparedado. Um Bolsonaro 2 tentará de início revanches e indultos tumultuários. Estelionatos eleitorais degradarão prestígios. Demagogias acelerarão crises de fundo.

Presidentes impopulares e/ou sem apoio parlamentar são depostos pelo Congresso ( Fernando Collor , Dilma Rousseff) ou a ele entregam grande poder ( Michel Temer , Jair Bolsonaro). É um semipresidencialismo sob chantagem ou um semiparlametarismo de avacalhação. Ainda mais depois da ascensão do centrão , definitiva em 2014, esse se tornou nosso regime, na prática.

Grandes reconfigurações políticas podem alterar esse regime, para pior ou melhor. Por hipótese, apenas, cite-se uma grande aliança de centro à esquerda de oposição ao projeto autoritário da extrema direita. Por outro lado, a destruição paulatina das instituições democráticas pela extrema direita pode alterar o jogo.

Esses projetos alternativos dependem em algum grau de novas alianças sociais e econômicas, pelo alto ou por baixo, talvez um projeto socioeconômico diferente, sempre de implementação lenta e difícil. Um sucesso econômico extraordinário também altera as condições dessa política, mas estará fora do horizonte dos próximos anos. Planos conservadores, na economia e na política, podem estabilizar a situação.

É razoável especular que o próximo presidente terá de início, no mínimo, baixa popularidade. A reação de governo e Congresso a essa situação é a incógnita. A dificuldade econômica amplifica riscos políticos. A reorganização de forças políticas e alianças sociais, com lideranças novas, será mais do que sempre importante para que se evitem desastres duradouros (autoritarismo) e se procure a refundação das possibilidades de progresso.