O calote do Banco Master nos aposentados

Quase um ano após o Banco Master ter sido liquidado, os aposentados tentam até hoje localizar algum resquício de dinheiro para receber as indenizações fixadas pela Justiça. Muitos aposentados que sofreram prejuízo, individualmente ou coleti

Por Admin ·

O calote do Banco Master nos aposentados

Com exceção de aposentados que investiram até R$ 250 mil cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), cujo ressarcimento é garantido pelo próprio sistema financeiro, milhares de idosos estão penando para serem ressarcidos. Processos estão se acumulando nas prateleiras de tribunais.

O perfil da vítima pode variar. O interesse de Daniel Vorcaro, dono do Master, nos aposentados surgiu com articulações políticas para ter acesso a recursos de fundos de pensão de estatais e produtos individuais a servidores públicos.

Foram dois flancos de atuação de Vorcaro com os aposentados.

O primeiro foi com a abertura das portas de fundos de pensão, para ter acesso aos recursos financeiros dos aposentados e investi-los com a promessa de resultados mirabolantes.

A segunda maneira era a venda no varejo diretamente aos aposentados, por meio de produtos bancários, como o cartão de crédito (Credcesta) e os empréstimos consignados. Milhares de aposentados contestam a cobrança desses serviços sem a devida autorização formal.

A solução extrajudicial para o ressarcimento custa a sair.

O Banco Central já nomeou dois liquidantes para conduzir e administrar o pagamento dos credores. Essa descontinuidade atrasou a convocação de assembleia de cotistas de fundos imobiliários administrados pelo Master, o que prejudicou a recomposição da carteira de investimentos. Muitos desses investidores são entidades previdenciárias e institutos de previdência de servidores públicos . Enquanto essa etapa não for finalizada, os credores continuam longe de receber.

A via judicial também esbarra na localização de ativos do Master e na falta de iniciativa da direção de fundos de pensão.

Por incrível que pareça, várias entidades previdenciárias não se dignaram até hoje de acionar judicialmente o Banco Master pelo prejuízo ocasionado. Como os investimentos dos fundos de pensão ultrapassaram o teto de R$ 250 mil do FGC, o caminho seria buscar a diferença no Judiciário para aumentar a chance de recomposição da reserva matemática da coletividade de aposentados. Várias entidades previdenciárias ficaram inertes. Há risco de a fraude ficar por isso mesmo.

Já os aposentados que buscaram individualmente ser reparados civilmente no Judiciário estão enfrentando a dificuldade de localizar ativos disponíveis do banco. Vorcaro tem investimentos e ativos financeiros significativos no exterior e em paraísos fiscais, o que atrapalha sua localização para quitar as dívidas de ações judiciais.

Vem se desenhando um calote Master em todo o Brasil.