Segundo o presidente do PSD , era o que dizia a curva ascendente das intenções de voto nas pesquisas, diante do empate. Essa avaliação explica por que o partido não se afobou na corrida do centrão rumo a Flávio Bolsonaro ( PL ) e manteve a neutralidade, preferindo equilibrar-se entre as duas canoas em disputa na regata.
O desempenho da oposição ao governo de Luiz Inácio da Silva (PT) nas eleições legislativas e governos estaduais —com destaque para o feito do PL para Câmara e Senado — provocou a sensação inicial de que o Congresso estaria irremediavelmente dominado pelo bolsonarismo a partir de 2027 e nos quatro anos seguintes.
O ambiente pós-eleições mostra que não é bem assim. Os movimentos dos companheiros de aliança no segundo turno —entre os quais o partido do derrotado — sinalizaram aos radicais o risco do isolamento. Bem adequada ao momento é a metáfora das abóboras que se acomodam após o tranco na carroça.
O fracasso na disputa presidencial permitiu um reequilíbrio na correlação de forças. Os governistas ganharam um fôlego inesperado e o centrão foi resgatado do encolhimento para a retomada do papel de protagonismo como fiel da balança.
A oposição, por sua vez, pode perfeitamente assegurar a relevância obtida nas urnas se souber se organizar como alternativa e não como agente da destruição.
O Parlamento não se conduz pela dinâmica da eliminação do adversário, que preside as disputas eleitorais. A lógica ali é a da construção de consensos, sem os quais nenhuma das correntes em jogo consegue avançar. Por paradoxal que pareça, é positivo o desequilíbrio entre as escolhas do eleitorado para o Legislativo e o Executivo: favorece a arquitetura do entendimento e impede a concentração de poder.