Novo capítulo na disputa pela Ray-Ban: herdeiro oferece € 30 bilhões por holding familiar

O herdeiro da Ray-Ban, Leonardo Maria Del Vecchio, lançou uma oferta que, segundo informações, está avaliada em € 29,6 bilhões (US$ 33 bilhões ou R$ 179,4 bilhões) pela Delfin Sarl, a holding que controla as empresas da família, acrescentan

Por Admin ·

Novo capítulo na disputa pela Ray-Ban: herdeiro oferece € 30 bilhões por holding familiar

O herdeiro da Ray-Ban, Leonardo Maria Del Vecchio, lançou uma oferta que, segundo informações, está avaliada em € 29,6 bilhões (US$ 33 bilhões ou R$ 179,4 bilhões) pela Delfin Sarl, a holding que controla as empresas da família, acrescentando um novo capítulo à disputa por uma vasta fortuna , que também atraiu o bilionário tcheco do setor de armamentos Michal Strnad.

Proposta recusada: Herdeiro da Ray-Ban rejeita oferta de US$ 3,9 bi do irmão para vender sua fatia na empresa da família Após disputas sucessórias: Filho do fundador da Ray-Ban deixa cargo

Leonardo Maria apresentou sua proposta para a Delfin Sarl em uma carta publicada nesta segunda-feira em seu jornal, o QN. O projeto conta com um financiamento de € 22 bilhões (US$ 24,6 bilhões ou R$ 133,8 bilhões) concedido pelo Citigroup, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, confirmando uma informação publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera.

De acordo com o Corriere, ele está oferecendo € 3,7 bilhões (US$ 4,1 bilhões ou R$ 22,5 bilhões) a cada um dos outros sete coproprietários da Delfin. A holding familiar tem entre os sócios, com fatia igual de 12,5% cada um, a viúva, o enteado e os seis filhos do fundador da EssilorLuxottica, Leonardo Del Vecchio, pai de Leonardo Maria Del Vecchio.

Representantes da Delfin e do Citigroup se recusaram a comentar.

Dono da Ray-Ban aposta alto em óculos com IA: 'Vão substituir os smartphones', diz executivo

Os herdeiros da EssilorLuxottica, grife que tem entre suas marcas a Ray-Ban, entraram em uma disputa acirrada sobre o futuro de seu legado. Uma proposta não solicitada do empresário tcheco Michal Strnad para assumir o controle da holding por € 30 bilhões (US$ 33,5 bilhões ou R$ 182,5 bilhões) aumentou ainda mais a pressão.

A aquisição proposta por Leonardo Maria impediria a investida de Strnad e, ao mesmo tempo, colocaria o herdeiro em posição de destaque em uma das famílias industriais mais importantes da Itália.

Dentro da família, Leonardo Maria despontou como talvez o membro mais atuante, fazendo críticas públicas ao presidente da Delfin e CEO da EssilorLuxottica, Francesco Milleri. Ele sugeriu que Milleri estava distraído com as participações financeiras da Delfin e o responsabilizou pela queda das ações da EssilorLuxottica.

Briga por patrimônio: Bilionário francês tenta deserdar seus cinco filhos e, para isso, pede mudança na lei

No início deste ano, Leonardo Maria propôs, sem sucesso, comprar uma participação conjunta de 25% pertencente aos irmãos Luca e Paola por € 10 bilhões . A negociação esbarrou na exigência dos bancos que se comprometeram a financiar a operação, os quais solicitaram garantias sobre os investimentos da Delfin, mas tiveram o pedido negado pelo conselho de administração. Sua oferta mais recente para comprar a participação de seu meio-irmão Rocco Basilico também foi rejeitada.

As participações iguais de 12,5% detidas por cada um dos oito herdeiros têm dificultado a tomada de decisões na Delfin, cujo principal ativo é uma participação de aproximadamente 32,5% na fabricante de óculos EssilorLuxottica.

Na carta, Leonardo Maria afirmou ter obtido apoio financeiro de uma instituição internacional que não identificou. Ele disse que estará pronto para apresentar seu projeto aos demais acionistas em 7 de novembro.

Segundo o Corriere della Sera, o empréstimo do Citigroup tem taxa de juros de 1,75%.

Além de Sting: Veja os famosos que não deixarão herança para os filhos, de Daniel Craig a Elton John

“Propus a aquisição total e imediata das participações ou outras modalidades de aquisição, com diluição da operação ao longo do tempo”, escreveu Leonardo Maria.

As ações da EssilorLuxottica subiram até 1,7% nas negociações em Paris, atingindo sua maior cotação intradiária desde junho. A Delfin detém quase um terço da maior empresa de óculos do mundo, além de participações expressivas em importantes instituições financeiras italianas.

O valor divulgado da proposta de Leonardo Maria é ligeiramente inferior à oferta apresentada por Strnad em 20 de outubro, que se tornou pública na semana passada. O empresário tcheco propôs comprar pelo menos 62,5% da Delfin com um desconto de 30% em relação ao seu valor patrimonial líquido.

As participações da Delfin em empresas de capital aberto, também incluindo o Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, o UniCredit SpA e a Assicurazioni Generali SpA, foram avaliadas em cerca de € 45 bilhões na sexta-feira, com base em cálculos da Bloomberg.

O estatuto da Delfin, sediada em Luxemburgo, exige consenso ou maiorias qualificadas para a aprovação de decisões importantes, um obstáculo que ambas as propostas precisariam superar para avançar.

Em sua carta, Leonardo Maria, de 31 anos, afirmou que a estrutura criada para adquirir as participações contaria com regras de governança mais rigorosas e um estatuto vinculante. Segundo ele, dois profissionais com “ampla experiência gerencial, jurídica e financeira” o acompanhariam, com poder de aconselhamento vinculante nas decisões financeiras mais importantes.

Por meio de suas participações financeiras, a Delfin tem desempenhado um papel de destaque no atual processo de consolidação do setor bancário italiano.