Astrônomos identificaram um possível planeta anão a cerca de 6,9 bilhões de quilômetros do Sol. Batizado provisoriamente de 2026 ED138, o objeto foi detectado em imagens do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, e pode estar entre os maiores corpos desse tipo já encontrados além de Plutão.
O tamanho estimado chama a atenção, mas ainda falta confirmar se ele atende aos critérios para ser classificado oficialmente como planeta anão.
O corpo celeste apresenta uma órbita oval inclinada em quase 25 graus em relação aos demais planetas. – Imagem: NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA
Objeto pode ter até 1.500 quilômetros de diâmetro
O possível planeta anão 2026 ED138 foi identificado por um programa desenvolvido pelo astrofísico Matthew Holman e pelo colega Kevin Napier. O sistema analisou imagens feitas pelo Observatório Vera C. Rubin, no Chile, entre março e julho, e detectou um ponto luminoso que mudava de posição a cada noite. A movimentação revelou que se tratava de um objeto distante do Sistema Solar.
Com base nas imagens, os pesquisadores calcularam a órbita do corpo celeste, inclinada quase 25 graus em relação aos planos orbitais dos planetas. A equipe também encontrou registros anteriores do objeto em imagens de outros telescópios, o que ajudou a confirmar a descoberta.
O diâmetro estimado varia de 595 a 1.500 quilômetros. A diferença depende da capacidade de reflexão da superfície: quanto mais brilhante for o objeto, menor poderá ser; se refletir pouca luz, poderá ser maior do que aparenta.
O tamanho é um dos fatores que ajudam a determinar se o 2026 ED138 pode ser classificado como planeta anão. Pelos critérios da União Astronômica Internacional, esses corpos precisam ter gravidade suficiente para adquirir uma forma aproximadamente esférica, mas não podem dominar gravitacionalmente sua região orbital.
Como a distância dificulta a confirmação direta de seu formato, os astrônomos ainda não sabem se o 2026 ED138 atende a esse requisito. Por enquanto, ele permanece na categoria de candidato a planeta anão.
Rubin amplia o catálogo de objetos distantes
O Observatório Vera C. Rubin monitora repetidamente o céu noturno a partir de uma montanha no Chile. Operado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e pelo Departamento de Energia do país, o equipamento já identificou cerca de 2.300 objetos além de Plutão, segundo Mario Jurić, responsável pela área de Sistema Solar da instalação. O número representa um aumento de aproximadamente 50% na população conhecida dessa região.
“Esperamos que esta seja apenas a primeira de muitas descobertas”, afirmou Jurić durante uma coletiva de imprensa.
O 2026 ED138 é o maior objeto identificado nesse conjunto até agora. No limite superior da estimativa, pode rivalizar com Haumea e Makemake, dois planetas anões além de Netuno. Plutão e Éris são maiores, com mais de 2.250 quilômetros de diâmetro.
A descoberta, no entanto, não confirma nem descarta a existência do hipotético Planeta Nove, um corpo com dimensões entre as da Terra e as de Netuno que alguns astrônomos acreditam estar ainda mais distante do Sol.
Pesquisadores suspeitam que o objeto se formou perto de Júpiter e foi arremessado para longe. – Crédito: Imagem gerada por IA com base no registro feito em 13 de setembro de 2021 por José Luis Pereira
O que as próximas observações podem revelar
Holman levanta a hipótese de que o 2026 ED138 tenha se formado perto de Júpiter e Saturno e depois sido lançado para longe após passar próximo de um dos planetas gigantes. Novas observações, inclusive com o Telescópio Espacial James Webb, poderão ajudar a esclarecer essa possibilidade e outras características do corpo celeste.
Os astrônomos também esperam aproveitar a passagem do objeto diante de estrelas distantes para obter medidas mais precisas. Esse fenômeno pode revelar detalhes que os telescópios não conseguem determinar apenas pela luz refletida.
Se o 2026 ED138 tiver uma lua, o movimento desse satélite permitirá calcular a massa conjunta dos dois corpos. A observação também poderá fornecer pistas sobre a presença de uma atmosfera.
“Todo tipo de ciência realmente maravilhosa pode surgir disso”, disse Holman.
As próximas medições ajudarão a definir o tamanho do objeto e a avaliar se ele reúne as condições necessárias para integrar oficialmente a lista de planetas anões.