Advogada, Hochul assumiu como governadora em 2021, logo após Andrew Cuomo, de quem era vice, renunciar ao cargo em meio a uma extensa lista de acusações de assédio sexual.
Ela foi então eleita no ano seguinte com 53% dos votos. Para a corrida deste ano, sua vitória não foi uma surpresa: Hochul aparecia à frente, com folga, em todas as pesquisas de intenção de voto confiáveis.
Uma democrata moderada, ela disputou contra o republicano Bruce Blakeman, 71, o chefe da administração do condado de Nassau (tipo de região administrativa que aglomera vários municípios). A última vez que um republicano foi eleito para o cargo no estado foi em 2002.
E Hochul contou com apoio de nomes "pop" entre os democratas: o do prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani , e o da deputada Alexandria Ocasio-Cortez; os dois são democratas socialistas, de corrente mais radical que a de Hochul, e com muitas divergências com a governadora. Mas, na hora de ir às urnas, esses desafetos recuaram.
Ainda que Nova York venha sendo historicamente caracterizada como uma "onda azul" (a cor dos democratas), o mapa das votações mostra uma visão bem mais cautelosa.
O partido vence na cidade porque conquista a maioria dos votos nos condados com maior densidade populacional, como o de Manhattan, a região mais conhecida mundialmente do estado. A região tem 1,6 milhão de pessoas; o estado de Nova York inteiro tem 20 milhões. Mas nos condados mais interioranos, a vitória é sempre republicana.
Nas eleições presidenciais de 2024, o estado votou majoritariamente (56,4%) pela democrata Kamala Harris, que tentava impedir o retorno de Donald Trump à Casa Branca e conseguiu 1 milhão de votos a mais do que o republicano em Nova York.
Assim como em boa parte dos Estados Unidos , o tema de maior preocupação dos eleitores na hora de votar foi o custo de vida, ou a chamada "affordability", que busca medir a capacidade de uma família de arcar com bens e serviços básicos a partir daquilo que ganha.
Detratores têm dito que Hochul pouco se preocupa com as contas públicas, dado que o orçamento estadual aumentou 40% durante o seu governo, chegando a US$ 269 bilhões em 2026.
Entre outras medidas de pouco apelo aos republicanos, ela apoiou o prefeito Mamdani quando ele estabeleceu o chamado imposto pied-à-terre, uma sobretaxa anual sobre imóveis de alto padrão (acima de US$ 5 milhões) que servem como segunda residência para americanos ou estrangeiros e ficam vazios a maioria do ano.
Ela também enfrenta outros desafios que batem à porta. Um, de saúde pública. Neste ano, o estado declarou emergência de saúde pública devido a um surto de sarampo, uma doença que estava praticamente erradicada no país todo, dado que há vacina para ela, mas que retornou em meio a uma onda contra os imunizantes apoiada, entre outros, por membros da administração do presidente Donald Trump.
Até aqui, há pelo menos 178 casos da doença confirmados neste ano, e na véspera das midterms, na segunda-feira (2), a primeira morte pela doença em 30 anos foi confirmada, a de uma criança.
A imigração também é um tema na agenda da governadora reeleita. Hochul prometeu publicamente que atuaria para proteger a população do estado contra as ações do ICE, a polícia de imigração que tem capitaneado detenções e deportações em massa.
A verdade é que isso pode ser válido para algumas cidades da região que administra, mas não para todas. Em setembro, o governo Trump anunciou números recordes de detenção de imigrantes no estado de Nova York.