Rui Costa estava na Bahia, onde horas antes abriu uma live em uma garagem de ônibus e cobrou a Prefeitura de Salvador sobre a oferta de transporte público no dia da votação. Confirmada a vitória, seguiu para a comemoração no Rio Vermelho, reduto da esquerda.
A trinca petista formada pelo governador do Piauí e pelos ex-governadores do Ceará e da Bahia reforçou a campanha de Lula no segundo turno. Agora, os três buscam ampliar a projeção nacional, em meio às articulações sobre a composição do novo governo e a sucessão do presidente.
O Nordeste manteve nas urnas seu viés lulista e deu ao presidente 24,45 milhões de votos no segundo turno ante 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro. A mobilização nos nove estados fez com que o petista tivesse cerca de 3 milhões de votos a mais na região em comparação ao primeiro turno.
O resultado confirma a força eleitoral da esquerda na região, mas ocorre em um cenário de mudanças na representação política dos estados e no perfil de voto dos eleitores para os demais cargos.
Para o Senado, foram eleitos nomes abertamente de direita como Lahesio Bonfim (Novo-MA) e Arthur Lira (PP-AL). Na Câmara, a bancada nordestina de direita mudou de perfil: deputados alinhados ao centrão perderam espaço para nomes mais ideológicos e estridentes.
Os partidos de esquerda não serão maioria entre os governadores da região pela primeira vez desde 2006. O PT elegeu os governadores da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, repetindo o feito de 2018 e 2022. Mas o PSB, que elegeu dois governadores há quatro anos, agora não terá nenhum.
O PSD saiu vencedor em Pernambuco , Maranhão e Sergipe , o PSDB vai comandar Alagoas e o PP ganhou na Paraíba. Destes, dois estavam no palanque de Lula: Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe.
Raquel Lyra , reeleita em Pernambuco, Eduardo Braide vencedor no Maranhão e JHC, que vai governar Alagoas, ganharam nas urnas adotando uma estratégia de neutralidade em relação à eleição presidencial.