Aqui, a descrição de "o trabalho mais ambicioso de nossa história" não configura um mero clichê. O longa que começou a ser gestado em 2013 e operacionalizado em 2020, ainda na pandemia, é um ponto fora da curva dos mesmos criadores do sucesso "Coraline e o Mundo Secreto", de 2009, inspirado no livro de Neil Gaiman .
A história acompanha Prue, uma pré-adolescente esperta e madura, daquelas que não aparentam —ou não querem aparentar— ter a idade que têm. Ela ajuda os pais, uma dupla meio hipster, a cuidar de seu irmão, o bebê Mac. Até que o caçula é sequestrado por um bando de corvos e levado para um bosque com criaturas nada convencionais.
Prue vê sua vida virar do avesso e, sentindo-se culpada por ter desobedecido a uma expressa ordem para não sair de casa com Mac, entra em uma saga atrás do irmão em uma selva que não conhece. É acompanhada do fiel escudeiro Curtis, um colega de escola que é quase a sua antítese, um menino inseguro, mas extremamente leal.
Ela tem de enfrentar a vilã Alexandra, uma mulher que viu sua crueldade nascer de uma das maiores dores que se pode passar —perder um filho.
"O Bosque Selvagem" é inspirado no livro "Wildwood", publicado em 2011 pelo músico e autor Colin Meloy, vocalista da banda indie The Decemberists. A história se passa em Portland , cidade de 630 mil habitantes no estado americano de Oregon, que impressiona por suas coníferas gigantes, sempre verdes, e também por seu ar hipster e misterioso. Nas livrarias locais, aliás, como a rede Powell's, que inclusive aparece no filme, esse é o gênero que domina as prateleiras: o mistério.
A cidade é uma personagem central de "O Bosque Selvagem", que imita suas ruas e florestas. Vários elementos locais estão presentes na produção, até as feições indígenas, muito presentes na cidade. Os estúdios da Laika estão na área metropolitana de Portland, e daí vem o fascínio da equipe por finalmente representar a região no cinema.