Nikolas não age como cristão ao zombar de quem votou em Lula, diz pastor de direita

O pastor batista Yago Martins lamentou quando Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou em seu perfil no X uma notícia a respeito da vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em todos os municípios cearenses no segundo turno, logo acima de outra que citava

Por Admin ·

Nikolas não age como cristão ao zombar de quem votou em Lula, diz pastor de direita

O deputado federal sugeriu que eleitores de Lula são lenientes com o crime organizado e fizeram por merecer: "Plantou, colheu". Martins rebateu na seção de comentários: "Seu comportamento revanchista envergonha o evangelho que você diz seguir".

Os dois são homens de direita e evangélicos e, por isso mesmo, Martins diz ter se incomodado tanto.

Nome por trás do canal Dois Dedos de Teologia, com 1 milhão de seguidores só no YouTube, ele é autor do livro "A Religião do Bolsonarismo: Um Ensaio Teológico".

"Quando [Nikolas] olha para pessoas que votaram diferente e zomba do sofrimento delas, está indo contra aquilo que é o núcleo mais fundamental do evangelho."

Martins se aborrece com quem se diz cristão e tira sarro do infortúnio de quem tem discordâncias eleitorais, citando especificamente o post de Nikolas sobre sua terra natal, o Ceará. "Me incomoda ver um funcionário público eleito pelo povo zombar do sofrimento das pessoas porque elas votaram diferente."

Ele acha inclusive algo incompatível com o cristianismo. "Esse tipo de postura revanchista é o total oposto daquilo que é o núcleo mais fundamental do evangelho, que é justamente o amor ao próximo, a misericórdia."

Também o perturbou o fato de Nikolas manchar seu campo ideológico, diz. "Ele é um cara de direita, e eu também sou. Percebi alguém do meu próprio lado político tendo uma atitude tão desumana em nome de um tipo de revanchismo político por causa do resultado das eleições."

Isso, segundo o pastor, "cobra uma autocrítica de nós como movimento". "Se a gente quiser ter uma direita que é mais cristã, a gente tem que se desvincular o mais rápido possível dessa direita que só fez usar Jesus de cabo eleitoral, mas não tem nenhum compromisso real com uma postura verdadeiramente evangélica."

Para Martins, o movimento que põe Jair Bolsonaro (PL) acima de tudo, e seus familiares acima de todos, é uma variante radicalizada que engoliu a direita tradicional. "Conseguiu arrastar a direita inteira de forma que mal existe direita no Brasil, existe bolsonarismo."

Ele diz ter a esperança de, diante de uma "derrocada do bolsonarismo nas últimas eleições", surgir uma nova direita "menos comprometida com o projeto de uma única família e mais comprometida com os ideais que sempre fizeram parte do campo". Cita empreendimento, livre comércio, humanidade e liberdade individual.