Nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampo

O Brasil tenta manter o sarampo sob controle, mas nenhum estado alcançou a meta de vacinar 95% das crianças menores de 2 anos. Enquanto isso, surtos nas Américas aumentam o risco de novos casos importados. A cobertura nacional com duas dos

Por Admin ·

Nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampo

O Brasil tenta manter o sarampo sob controle, mas nenhum estado alcançou a meta de vacinar 95% das crianças menores de 2 anos. Enquanto isso, surtos nas Américas aumentam o risco de novos casos importados.

A cobertura nacional com duas doses da tríplice viral está abaixo de 80%. Para especialistas, ampliar a vacinação é essencial para evitar que pessoas infectadas tragam o vírus ao país e provoquem novos surtos.

O vírus do sarampo pode enfraquecer o sistema imune por até seis meses, deixando o corpo vulnerável a outras infecções. Imagem: Prostock-studio/Shutterstock

Casos importados preocupam especialistas

O Brasil recuperou, em novembro de 2024, o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. Isso não significa que o vírus tenha deixado de representar uma ameaça: pessoas infectadas no exterior ainda podem desencadear pequenas cadeias de transmissão.

O país registrou 39 casos em 2025 e pouco mais de 50 em 2026, principalmente na cidade de São Paulo. Peru e Bolívia também enfrentam surtos, enquanto outros países das Américas registram milhares de infecções.

A meta de 95% de cobertura vacinal ajuda a impedir a transmissão sustentada. Quando a imunização fica abaixo desse patamar, comunidades com muitos moradores desprotegidos podem se tornar focos de disseminação, mesmo em regiões com índices gerais mais elevados.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica por que a cobertura precisa ser alta e bem distribuída:

“Quando a gente atinge mais de 95% da população vacinada, a gente impede que esses casos importados se traduzam por uma transmissão sustentada da doença, mantendo a circulação do vírus aqui”, disse ao g1.

Sintomas e complicações do sarampo

O sarampo é transmitido pelo ar e costuma começar com febre alta, tosse seca, conjuntivite e mal-estar. Entre três e cinco dias depois, aparecem manchas vermelhas, inicialmente no rosto e atrás das orelhas, que se espalham pelo corpo. Diante de sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento médico.

A doença pode evoluir para complicações graves, sobretudo em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas. Entre os principais riscos estão:

• Pneumonia: ocorre em aproximadamente uma a cada 20 crianças infectadas e é a causa mais comum de morte pela doença entre crianças pequenas.

• Otite média aguda: atinge cerca de uma a cada dez crianças e pode provocar perda auditiva permanente.

• Encefalite: inflamação no cérebro que pode ocorrer em uma a quatro de cada mil crianças infectadas. Cerca de 10% das crianças que desenvolvem essa complicação podem morrer.

• Amnésia imunológica: compromete temporariamente as defesas do organismo e pode aumentar a vulnerabilidade a outras infecções por três a seis meses.

A pediatra Flavia Bravo, diretora da SBIm, alerta que a queda da cobertura vacinal amplia o número de pessoas suscetíveis:

“A redução da imunização, ainda que pareça uma taxa mínima, tem resultados sem precedentes, como o que estamos vendo. O país criou uma multidão de pessoas suscetíveis e que hoje são crianças e adultos vulneráveis ao vírus.”

Atingir 95% de vacinados impede que casos importados se transformem em surtos comunitários no país. – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quem deve se vacinar e como conferir as doses?

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Duas doses oferecem proteção superior a 97% contra o sarampo. Na infância, a primeira é aplicada aos 12 meses e a segunda, aos 15 meses.

Para adolescentes e adultos, as recomendações variam conforme a idade e o histórico vacinal:

• Dos 5 aos 29 anos: pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto devem ter duas doses documentadas.

• Dos 30 aos 59 anos: a recomendação de rotina é de pelo menos uma dose.

• Durante surtos: o Ministério da Saúde pode ampliar a vacinação para outros grupos.

A caderneta de vacinação permite conferir quais doses foram registradas. Quem não tem comprovante de vacinação, perdeu a caderneta ou não sabe se completou o esquema deve procurar uma unidade de saúde. Um profissional poderá verificar os registros disponíveis e orientar sobre a necessidade de novas doses.

A imunização, aliada à vigilância epidemiológica, é essencial para impedir que casos importados se transformem em novos surtos e para proteger quem não pode receber a vacina.