Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro 'têm estômago' para reforma que Brasil precisa, diz Economist

A revista britânica The Economist publicou uma reportagem na quinta-feira (22) afirmando que "a estranha economia do Brasil precisa de uma reforma séria" mas que "nem Lula, nem Flávio Bolsonaro têm estômago" para isso.

Por Admin ·

Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro 'têm estômago' para reforma que Brasil precisa, diz Economist

O agregador de pesquisas da BBC News Brasil mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) dois pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para presidente no segundo turno, na eleição que será realizada no domingo (25).

A reportagem diz que "democratas de todo o mundo estremeceram" quando Flávio Bolsonaro —"filho de um ex-presidente conspirador para um golpe de Estado"— ficou na frente de Lula no primeiro turno. Mas, segundo a publicação, "capitalistas também tremeram, mas de entusiasmo".

"Esse foi um veredito contundente sobre a condução econômica de Lula. O crescimento do PIB superou as previsões (pessimistas), o desemprego está baixo e a inflação manteve-se próxima à faixa de 1,5% a 4,5% estabelecida como meta pelo Banco Central do Brasil (BCB)", diz a Economist.

"No entanto, seu descaso com as contas públicas e sua retórica hostil ao setor empresarial assustam os mercados. O superávit primário (ou seja, antes do pagamento de juros) que ele herdou transformou-se em déficit, e o FMI projeta que a dívida pública atingirá 97% do PIB este ano, ante 84% em 2022."

Já Flávio Bolsonaro é comparado a Javier Milei, o presidente argentino que promoveu reformas pró-mercado no seu país "com algum sucesso" mas também "com muita dor", segundo a Economist, destacando promessas do senador de reduzir o número de ministérios, digitalizar o setor público e vender prédios do governo federal.

Mas para a revista, essa reforma prometida pelo senador "é implausível" —"ele teria sorte se conseguisse metade da economia prometida com tais ajustes".

"Seria preciso um fervor genuíno, ao estilo de Milei, para enfrentar os problemas econômicos do Brasil —problemas que decorrem de uma combinação complexa de gastos públicos elevados, inflação persistente e baixa taxa de poupança."

A Economist afirma que um dos problemas principais do Brasil é o alto custo para se tomar empréstimos no país, fruto das altas taxas de juros e dos altos gastos públicos.

A revista afirma que nenhum governo recente atacou o problema dos altos gastos públicos, e que Lula não foi diferente .

"A única saída para essa confusão é o ajuste fiscal —o famoso 'aperto de cintos'. Isso reduziria a inflação, diminuiria a taxa de juros real e liberaria capital para usos produtivos", diz a Economist.

"A equipe de Bolsonaro fala, em tom reservado, sobre reformas, mas o próprio candidato rejeitou mudanças no sistema previdenciário ou nos mecanismos de indexação."

"Se Lula protagonizar uma virada surpreendente no segundo turno, é improvável que ele subitamente se torne um defensor do rigor fiscal", diz a revista.

A Economist afirma que "qualquer presidente teria dificuldade em convencer três quintos dos membros de ambas as casas do Congresso —quórum necessário para desmontar as amarras constitucionais que impulsionam os gastos".

"O mercado talvez prefira Bolsonaro a Lula; mas, seja quem for o eleito, o resultado acabará sendo uma decepção", conclui a reportagem.