Em entrevista a jornalistas no Senado, Marinho disse que Flávio "está fazendo um desabafo" diante de um resultado "inesperado" no segundo turno. "É evidente que, se você faz alguma afirmação, precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que [a carta] é um desabafo de alguém. Suponho que seja desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado", declarou.
Flávio Bolsonaro trocou a expressão "verdadeiro presidente" por "líder do Brasil" na abertura de um texto golpista divulgado nesta quarta. Ele fugiu para os Estados Unidos após perder o segundo turno das eleições para Lula ( PT ) no domingo (27), com 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% do petista. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o próprio PL reconheceram o resultado das urnas.
Ao menos quatro versões do documento de Flávio circularam, mas apenas as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador. "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", afirmava a abertura das versões divulgadas pelos aliados.
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho negou ter tido conhecimento prévio sobre o documento e, perguntado sobre a mudança das expressões, limitou-se a dizer que "deve ter havido algum problema na confecção da carta" e que a versão publicada por último, em que Flávio recua, é a oficial.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, enviou uma nota à Folha em que prega respeito ao resultado das urnas, afirma que a eleição acabou e que é hora de a direita unir esforços.
"O atual momento exige serenidade e respeito ao resultado das urnas. A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir. Seguiremos trabalhando e fiscalizando as ações do governo. É hora de a direita unir esforços, defender os interesses de milhões de brasileiros e manter o compromisso com o futuro do nosso país", disse.