"A guerra atual mudou tudo. Devemos reconhecer que novas realidades estão surgindo. As rotas marítimas pelo estreito de Hormuz não serão mais as mesmas, assim como sua gestão", disse o chanceler durante um discurso em Teerã, segundo a emissora estatal Press TV.
Araghchi defendeu que a segurança da via marítima seja garantida pelos países da região, sem a presença de forças estrangeiras. Segundo ele, Teerã apoiará propostas de segurança formuladas regionalmente.
As declarações ocorrem em meio a ameaças de novos ataques contra o Irã e à estagnação das negociações entre Teerã e Washington. Segundo reportagem do The New York Times, os Estados Unidos e Israel elaboraram planos para retomar os ataques contra o Irã após as eleições de meio de mandato americanas .
"Ultimamente, tem-se falado em uma nova guerra, mas eu já estou pensando no período pós-guerra. Haja guerra ou não, nossas políticas continuam as mesmas", disse Araghchi. "Eles já fizeram isso duas vezes e viram os resultados. Se quiserem tentar novamente, sabem que não obterão um resultado diferente."
Um cessar-fogo firmado em 8 de abril interrompeu os combates mais intensos entre os dois países. A tensão, porém, persiste no estreito de Hormuz, rota fundamental para o transporte global de energia.
Desde o início do conflito, o Irã reivindica autoridade sobre a passagem e tem atacado embarcações que transitam sem sua autorização. Em resposta, Washington impôs um bloqueio naval aos portos iranianos e passou a escoltar petroleiros que cruzam a região.
Em junho, Teerã e Washington firmaram um memorando de entendimento para estabelecer as bases de uma solução permanente para o conflito. O acordo, no entanto, fracassou após os dois lados se acusarem de descumprir seus termos.
Desde então, as negociações permanecem praticamente paralisadas. Conversas indiretas realizadas recentemente às margens da Assembleia Geral da ONU também não produziram avanços.