Não ter CEP é não ter dignidade, diz líder comunitário de morro em Santo André

Leandro Mendes dos Reis, o Leo da Kibon, 34, sabe do jeito mais doloroso o que é não existir no mapa. Morador do Morro da Kibon desde os três anos —quando chegou de Irecê (BA)—, ele viu a família reconstruir a casa mais de dez vezes, derrub

Por Admin ·

Não ter CEP é não ter dignidade, diz líder comunitário de morro em Santo André

O nome do morro veio de uma fábrica de sorvetes que existia ali. E foi uma tragédia que marcou todos ali pela falta de endereço. Um incêndio matou uma família inteira, porque os bombeiros não localizaram a casa em chamas. Também não havia água encanada para conter o fogo em barracos próximos nem endereçamento postal para guiar o socorro.

"Não ter CEP é não ter dignidade", diz Leo. Liderança comunitária, ele apoiou a fundação do Instituto Kibon, e ajudou a assentar 300 famílias no morro.

Também foi apoiador na implantação do CEP Digital, em parceria com a Prefeitura de Santo André, o Google e a logitech naPorta, comandada por Sanderson Pajeú e Leonardo Medeiros, finalistas do Prêmio Empreendedor Social 2026, na categoria Inovadores Sociais do Ano.

A seguir, ele descreve como superou a desconfiança dos moradores, em 2024, para colocá-los no mapa dos direitos sociais.

" Cheguei ao Morro da Kibon aos três anos. Meu pai tinha vindo antes e trabalhou um ano sem almoçar para juntar dinheiro para nos trazer. Quando nos reunimos em Santo André, fomos morar num barraco no barranco.

Vivi ali a dor de ver nossa casa cair por reintegrações de posse e tempestades. Perdi a conta de quantas vezes a reconstruímos: foram mais de dez. Em dias de chuva forte, o vento tirava o telhado, e a minha mãe colocava eu e meus quatro irmãos sob a beliche.