Não queremos futebol, queremos a burocracia que leva ao resultado

Somos tarados por barulho. No futebol e fora dele. As coisas que importam, no Brasil, ficam em segundo plano para o que é barulhento.

Por Admin ·

Não queremos futebol, queremos a burocracia que leva ao resultado

Na campanha eleitoral, os escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e a atribuição a Lula (PT) do rótulo de ladrão deram o tom da tentativa de convencer o eleitor a se decantar por um lado. O "Exército de Janones" engajou o país para virar votos pelo medo do que o outro lado representava ao país. Ficou totalmente à margem a isenção fiscal de Lula para quem ganha até R$ 5.000 , a taxação de empresas que lucram mais de R$ 600 mil por ano e o plano de governo de um ou de outro. Votamos e brigamos com base em tudo que gera ruído, não no que poderá fazer um país melhor para quem mais necessita.

No futebol, vamos pelo mesmo caminho. Sou comentarista de programas diários e preciso saber mais da burocracia do que do jogo. Na segunda-feira (2), a maioria dos programas debateu o pênalti não marcado por Anderson Daronco em Palmeiras e Vasco , o cartão vermelho para Saldivia e a não expulsão de Lescano. E depois disso, mais debate sobre as palavras de Abel Ferreira e de um dirigente vascaíno sobre os mesmos temas.

Durante a semana, gastamos tempo e energia falando da discussão de Seedorf com jornalistas e do pênalti de Moledo contra o Internacional, que as redes sociais querem acreditar que foi intencional.

Debatemos incessantemente o pênalti para o Mirassol no jogo contra a Chapecoense, um lance idêntico ao ocorrido no jogo entre PSG e Barcelona semanas atrás —mas o atacante no torneio europeu fez questão de ficar em pé para jogar, nenhum jogador reclamou e o VAR não interveio. Nada foi marcado e o jogo seguiu. No Brasil, o atacante se jogou, todos pressionaram o árbitro, que foi ao monitor confirmar sua decisão de dar um pênalti em um lance forçado de um atleta que não queria o jogo. Queria a burocracia da regra e o barulho.