Não há solução mágica para a segurança, mas dados são um caminho, diz procurador

O Brasil já soma mais de 1.200 ADPFs (Arguição de Descumprimento do Preceito Fundamental). Esse recurso jurídico, via STF (Supremo Tribunal Federal) ganha vida, em geral, quando não há outro meio eficaz para sanar uma violação a direitos, c

Por Admin ·

Não há solução mágica para a segurança, mas dados são um caminho, diz procurador

E o procurador da República Julio Araujo, do Ministério Público Federal, não tem dúvidas em apontar a ADPF 635 (ADPF das Favelas), de 2019, como divisor de águas na segurança pública do Rio de Janeiro .

Para ele, que também é doutor em direito público (UERJ) e especialista em política e sociedade (IESP/UERJ), a atuação conjunta da sociedade civil com a produção independente de evidências pelo Fogo Cruzado, liderado pela empreendedora social Cecilia Olliveira –finalista do Prêmio Empreendedor Social 2026 na categoria Soluções que Inspiram–, foi decisiva para suprir o STF com dados.

Isso porque o Fogo Cruzado criou plataforma colaborativa em que moradores reportam tiroteios e operações policiais em tempo real, rompendo a ausência de informações do governo. Cada registro passa por verificação rigorosa antes de integrar o maior banco de dados abertos sobre violência armada da América Latina, que hoje abrange 57 municípios das regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém.

Esses dados respaldaram a ADPF 635, que determina que operações policiais do governo do RJ tenham câmeras corporais e até destaque ambulâncias em operações de risco, além de informar o Ministério Público. Tudo isso para reduzir o impacto sobre as comunidades e as mortes –quando isso não ocorre, como na operação Contenção, em 29 de outubro de 2025, no Complexo do Alemão, 121 pessoas foram mortas, sendo 4 policiais.