'Não há palavras pra descrever a dor': a mobilização de um vilarejo para ajudar vítimas de acidente de trem na Espanha

Urda é um daqueles lugares que visitei muitas vezes para contar suas histórias. Nunca imaginei que voltaria para contar uma tragédia como esta.

Por Admin ·

'Não há palavras pra descrever a dor': a mobilização de um vilarejo para ajudar vítimas de acidente de trem na Espanha

Sirenes, ambulâncias, bombeiros e pessoas caminhando com o olhar perdido. Foi o que encontrei na quarta-feira (28), quando cheguei a este pequeno vilarejo da província de Toledo, em Castilla-La Mancha, ao sul de Madri.

Naquela manhã, dois trens colidiram nas proximidades de Urda , deixando pelo menos 74 mortos e dezenas de pessoas feridas.

Sou de Castilla-La Mancha e trabalhei durante muitos anos na televisão pública regional. Foi assim que visitei Urda tantas vezes, principalmente no fim de setembro, durante a peregrinação do Cristo de Urda, uma celebração que reúne milhares de pessoas da região.

Ao chegar, tive dificuldade para reconhecer o lugar.

O barulho, a correria, as equipes médicas, os carros que iam e vinham, os colegas da imprensa, a movimentação frenética. E, em meio a tudo isso, pessoas que tentavam ajudar quem tinha acabado de sair dos trens.

A cena diante dos meus olhos não tinha nada a ver com a imagem que eu guardava daquele vilarejo.

E uma coisa é viver tudo isso como jornalista; outra, como alguém que é dali.

A adrenalina de jornalista nos impulsiona a seguir em frente, mas a cena era dantesca.

Quando cheguei ao local do acidente, a cerca de 8 km do vilarejo, vi os vagões destruídos dos dois lados do aterro e os últimos feridos que ainda conseguiam caminhar se dirigindo aos ônibus disponibilizados para transportá-los.