"Se uma parcela dos americanos que votaram em mim nas últimas eleições sair de casa para votar, temos uma boa chance na disputa", afirmou Trump. As pesquisas, porém, indicam dificuldades para os republicanos , que tentam preservar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado .
Na tentativa de mobilizar o eleitorado, Trump intensificou suas viagens pelo país e recorreu a uma série de promessas financeiras. Anunciou cheques de US$ 5.000 aos americanos, recompensas de US$ 1 milhão para denúncias de fraudes eleitorais e, nas últimas semanas, distribuiu pagamentos de US$ 90 e US$ 500 para ajudar a população com os custos de saúde.
Os pagamentos já alcançaram milhões de americanos e, em alguns casos, foram acompanhados de mensagens assinadas pelo próprio presidente. A proximidade das eleições e a utilização de comunicações oficiais para divulgar as medidas levantam questionamentos sobre os limites entre a promoção de benefícios do governo e a tentativa de obter vantagens políticas.
Dados fornecidos pela Casa Branca à Folha mostram que, apenas em 8 de outubro, o governo realizou quase 19,9 milhões de depósitos de US$ 90 e enviou outros 874 mil cheques pelo correio. O benefício foi destinado a participantes do Medicare, programa federal de saúde voltado principalmente a pessoas com 65 anos ou mais.
O dinheiro veio de um fundo federal destinado a melhorias no programa. Segundo o governo, os pagamentos servem para compensar parte das mensalidades cobradas dos beneficiários, que podem ultrapassar US$ 200 por mês.
"Mais de 20 milhões de americanos agora têm US$ 90 em suas contas bancárias para compensar os custos de saúde e tornar a vida mais acessível", afirmou à Folha Allison Schuster, porta-voz da Casa Branca.
Poucos dias antes, em 1º de outubro, o governo também havia iniciado o envio de cheques de US$ 500 para mais de 950 mil americanos em 30 estados. Os destinatários são pessoas que contrataram seguros de saúde por meio das plataformas federais do Obamacare e que, segundo a administração Trump, pagaram taxas excessivas durante o governo de Joe Biden.
Nesse caso, os pagamentos foram acompanhados de cartas assinadas pelo próprio presidente, que aproveitou a comunicação para destacar medidas adotadas por sua gestão para reduzir os custos de saúde.
A estratégia chamou a atenção de especialistas em legislação eleitoral. Margaret Dylus-Yukins, advogada sênior especializada em ética do Campaign Legal Center, organização americana que atua na defesa das regras eleitorais, afirma que a distribuição dos pagamentos e das cartas pode levantar questões relacionadas à Hatch Act, lei federal de 1939 que proíbe funcionários públicos de exercer determinadas atividades político-partidárias durante o trabalho.
"A emissão dos pagamentos e das cartas não é, por si só, uma atividade política, mas a mensagem e a intenção por trás deles podem ser consideradas atividade política nos termos da Hatch Act", afirma.
A legislação não se aplica ao presidente, mas restringe a atuação de outros funcionários federais. Segundo a especialista, servidores que tenham participado da distribuição de mensagens com a intenção de influenciar as eleições podem enfrentar penalidades.
Ela ressalta que isso não significa que os pagamentos sejam ilegais. Uma eventual violação dependeria de fatores como o conteúdo das cartas, a linguagem utilizada, sua distribuição e a finalidade das iniciativas.
Procurada pela Folha , a Casa Branca defendeu os pagamentos e afirmou que eles fazem parte dos esforços do governo para reduzir os custos de saúde.
"O presidente Trump continua cumprindo sua promessa de reduzir os custos para os pacientes americanos, colocando-os em primeiro lugar e enfrentando os grupos de interesse que se aproveitaram da situação em Washington para aumentar os gastos com saúde", disse Schuster.