A descoberta no zeptoverso ganhou força com os resultados divulgados nesta terça-feira (03/11) pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) , na região de Genebra, na Suíça. Cientistas identificaram evidências de uma transformação subatômica que, segundo as previsões, acontece apenas uma vez a cada 10 bilhões de partículas específicas.
O avanço foi alcançado no Grande Colisor de Hádrons (LHC) , o maior acelerador de partículas do mundo, com a participação de uma equipe internacional de pesquisadores. O resultado representa a primeira evidência desse fenômeno obtida por um único experimento.
Embora ainda não seja uma confirmação definitiva, a pesquisa oferece aos físicos uma nova maneira de investigar partículas desconhecidas e compreender melhor as leis que governam o Universo.
O zeptoverso não é um planeta, uma partícula ou um universo paralelo. O termo descreve informalmente um mundo de distâncias tão pequenas que estão muito além daquilo que conseguimos observar , mesmo com microscópios extremamente potentes.
Para entender essa dimensão, basta imaginar um átomo, uma das estruturas fundamentais da matéria. Os pesquisadores do CERN já conseguem investigar escalas cerca de 10 bilhões de vezes menores que ele e procuram sinais de fenômenos que ocorrem em distâncias ainda mais reduzidas.
Essa região interessa aos cientistas porque partículas desconhecidas podem influenciar acontecimentos que já conseguimos medir, mesmo sem aparecer diretamente nos detectores.
É uma possibilidade importante para a física, que ainda procura respostas sobre a matéria escura, componente invisível que influencia gravitacionalmente as galáxias, e sobre a predominância de matéria em relação à antimatéria no Universo.
A descoberta no zeptoverso está relacionada ao comportamento de partículas que contêm um componente fundamental da matéria chamado quark beauty.
Essas partículas existem por aproximadamente 1,5 trilionésimo de segundo antes de se transformarem. Em uma dessas transformações, uma partícula conhecida como méson B neutro dá origem a duas outras, chamadas múons.
O fenômeno é tão incomum que sua ocorrência prevista é de apenas uma vez em 10 bilhões de partículas desse tipo . Por isso, encontrar seus sinais exige analisar uma quantidade extraordinária de colisões.
A busca começou em 1984 , mas só ganhou evidências mais consistentes com os dados recentes do experimento LHCb. Uma atualização realizada em 2024 permitiu coletar informações em uma velocidade cinco vezes maior que a registrada anteriormente.
Os pesquisadores também utilizaram técnicas de aprendizado de máquina para separar os sinais procurados de milhões de outros eventos registrados pelos detectores.
A equipe alcançou um nível de confiança estatística de 3,2 sigma , suficiente para classificar o resultado como evidência científica. Para confirmar definitivamente o fenômeno, será necessário atingir cinco sigma, um critério mais rigoroso adotado na física de partículas.
Até agora, os resultados estão de acordo com o Modelo Padrão , teoria que explica o comportamento das partículas fundamentais conhecidas. Isso significa que a pesquisa ainda não encontrou uma nova partícula nem comprovou explicações para a matéria escura.
O próximo passo será reunir mais informações e verificar se o fenômeno se comporta exatamente como previsto . O CERN planeja aumentar a capacidade de seus experimentos nos próximos anos, com novas melhorias previstas para a década de 2030.
Depois de quatro décadas de investigação, os cientistas têm uma pista importante para continuar explorando o zeptoverso. A confirmação definitiva, porém, dependerá de novas medições capazes de demonstrar que o sinal encontrado não é resultado de uma flutuação estatística.