Presidente da Irena diz que país diminuiu produção por problemas na distribuição
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Singapura | Reuters O chefe da Irena (Agência Internacional de Energia Renovável), Francesco la Camera, afirmou nesta terça-feira (27) que o mundo acrescentará menos capacidade de energia limpa em 2026 pela primeira vez em cinco anos, devido à insuficiência das redes de transmissão e às barreiras comerciais.
O crescimento da capacidade solar e eólica vem acelerando a cada ano desde 2021, quando a pandemia de Covid-19 afetou as cadeias globais de suprimentos. As instalações de energia limpa, incluindo a hidrelétrica, aumentaram em um recorde de 692 gigawatts (GW), ou 15,5%, para 5.149 GW em 2025 —o equivalente à metade da capacidade de geração de energia elétrica do mundo.
Os governos se comprometeram a ampliar o uso de energia limpa para garantir um fornecimento confiável de eletricidade e reduzir custos, sobretudo depois que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã restringiu o abastecimento de petróleo e gás e elevou os preços.
Porém o executivo da Irena observou que houve uma desaceleração na implementação de fontes renováveis na China devido a cortes de geração —ou à rejeição de energia limpa quando a rede atinge seus limites.
"A principal razão para não haver um novo recorde de acréscimos neste ano é o descompasso entre a capacidade de geração e a capacidade de distribuir e transmitir eletricidade", afirmou em entrevista à margem da conferência Semana Internacional de Energia de Singapura.
Maior produtora mundial de energia renovável, a China desperdiçou no primeiro semestre de 2026 um volume de energia limpa suficiente para abastecer o México por um ano, enquanto as redes de países como Austrália e Japão também não conseguiram acompanhar o ritmo da rápida expansão das fontes renováveis.
"Não acredito que o aumento da capacidade nas outras partes do mundo neste ano vá compensar a desaceleração na China", afirmou La Camera, sem informar uma projeção numérica para o crescimento esperado dos acréscimos de energia limpa neste ano.
A ampliação da capacidade de energia renovável é crucial para reduzir as emissões globais, e a ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou em um relatório na semana passada que eram necessários cortes "urgentes e rigorosos" nas emissões para desacelerar o aquecimento global.