03/11/2026 12h25 Atualizado 03/11/2026 12h31
O Ministério da Saúde disse que vai reforçar a vacinação contra a mpox, antiga varíola dos macacos, no Rio de Janeiro em meio a alta de casos. Devido ao número limitado de unidades disponíveis mundialmente, as doses são destinadas a públicos específicos em maior risco de exposição ou de agravamento do quadro: profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com um caso suspeito ou confirmado de mpox, após avaliação da vigilância em saúde.
Em nota, a pasta diz que vai "reforçar os estoques de vacinas no Rio de Janeiro, contribuindo para o controle dos casos atuais e para a preparação para o fim do ano, período de maior concentração da circulação de pessoas". "Diante do cenário epidemiológico, a imunização seguirá direcionada aos grupos recomendados", complementa. O imunizante é aplicado em duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas. Quando há sobra de doses, a vacinação também pode ser estendida para usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
O ministério afirma ainda que, neste ano, já foram notificados 665 casos de mpox no Brasil até outubro , 218 deles, mais de um terço, no estado do Rio de Janeiro. O número, porém, representa uma redução de 94% em relação aos 10.821 casos notificados no país em 2022, ano em que o vírus passou a se disseminar globalmente. No estado fluminense, a diminuição é de 84,2% em comparação com os 1.381 casos registrados naquele ano.
Em comparação com o ano passado, o país também vive uma tendência de diminuição. De acordo com o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 1.074 diagnósticos em 2025, o que, por sua vez, foi também uma queda em relação aos 1.989 de 2024. A pasta diz que "mantém vigilância ativa em articulação com estados e municípios", e que "o SUS está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos da doença".
Segundo os dados mais atualizados do painel epidemiológico do estado do Rio de Janeiro, já subiu para 269 o número de casos confirmados de mpox em 2026, uma alta de 126% em relação a todos os 119 registros do ano passado.
Na capital, os números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que foram 55 casos apenas em outubro, o maior número para um mês desde outubro de 2022, quando o surto global do vírus estava em queda.
Em setembro, já haviam sido confirmados 47 casos, 261,5% a mais que o registrado em agosto, quando foram 13 infecções, o que acendeu um alerta das autoridades de saúde. Desde 2024, a cidade não tinha um mês com mais de 20 infecções.
Ainda assim, em nota, a SMS diz que os casos registrados nos últimos meses "seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença em 2022", lembrando que, naquele ano, a cidade chegou a registrar 351 casos em um único mês.
A secretaria reconhece que, em setembro, "houve uma elevação da curva da doença", mas diz que o "cenário epidemiológico hoje é outro". A pasta explica que, desde 2022, há períodos com maior número de casos, como em dezembro de 2023, quando foram 46 notificações de mpox, mas "com redução da curva nos meses seguintes".
"A Superintendência de Vigilância em Saúde mantém monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação oportuna dos casos e acompanhamento clínico dos pacientes, além de promover medidas de prevenção em controle em conjunto com demais áreas técnicas da SMS", complementa.
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus de mesmo nome, do gênero Orthopoxvirus. É considerada uma doença zoonótica por originalmente circular entre animais em determinadas regiões do continente africano, mas ter se adaptado nos últimos anos e passado a se disseminar de forma sustentada entre humanos.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com:
Lesões ou erupções na pele de pessoa infectada; Secreções corporais (pus, sangue das lesões, saliva); Objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis, utensílios); Contato próximo e prolongado com secreções respiratórias.
O período de incubação, que é o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, costuma variar de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. Os sinais mais comuns são:
Erupções cutâneas ou lesões de pele Adenomegalia - Linfonodos inchados (ínguas) Febre Dor de cabeça Dores no corpo Calafrio Fraqueza
As lesões podem ser planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, evoluindo para crostas que secam e caem. Podem surgir no rosto, mãos, pés, boca, genitais, ânus e outras partes do corpo. O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde se:
Apresentar lesões na pele associadas a febre ou ínguas; Teve contato próximo com caso suspeito ou confirmado; Pertence a um grupo com maior risco de complicações: pessoas vivendo com HIV/aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos.
O diagnóstico é realizado por meio de exame feito com amostras coletadas, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. A maioria dos casos evolui para melhora entre 2 e 4 semanas. Não há tratamento específico aprovado para mpox. Por isso, o manejo consiste no alívio dos sintomas, na prevenção e tratamento de complicações e em cuidados clínicos de suporte, caso o quadro evolua para um estágio mais grave, enquanto o próprio sistema imunológico combate o vírus.
Além da vacinação nos grupos elegíveis, o Ministério da Saúde afirma que a principal forma de prevenção é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Por isso, recomenda-se:
Não compartilhar objetos pessoais Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel Lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente Limpar e desinfetar superfícies Cumprir isolamento até o fim do período de transmissão
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Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
Mpox: Ministério da Saúde diz que vai reforçar estoques de vacinas em meio à alta de casos no Rio
03/11/2026 12h25 Atualizado 03/11/2026 12h31 O Ministério da Saúde disse que vai reforçar a vacinação contra a mpox, antiga varíola dos macacos, no Rio de Janeiro em meio a alta de casos. Devido ao número limitado de unidades disponíveis m