MP pede que Justiça barre eleição de Canella no Rio por relação com milícias e o CV

O MPE (Ministério Público Eleitoral) apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta sexta-feira (23) um parecer em que defende a anulação do registro da candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo e ex-deputado estadual Márcio Canella

Por Admin ·

MP pede que Justiça barre eleição de Canella no Rio por relação com milícias e o CV

Canella foi o segundo mais votado do Rio de Janeiro na eleição para deputado estadual, com 197 mil votos. Ele chegou a ser pré-candidato ao Senado, com o apoio do presidenciável Flávio Bolsonaro ( PL ). Também é aliado do governador eleito Douglas Ruas e do ex-governador Claudio Castro (PL).

Seu nome perdeu força na campanha majoritária depois que foi preso, em julho, com um fuzil de uso restrito e mais de R$ 919 mil em dinheiro vivo. A arma estava no carro do deputado eleito.

Canella foi alvo de busca e apreensão na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal , que investiga uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro para o crime organizado , com o uso de fraudes em postos de combustíveis. Além dele, o secretário de Polícia Civil nomeado pelo ex-governador Cláudio Castro Marcus Amim também foi alvo da operação.

Procurado pela Folha por telefone e WhatsApp, Canella ainda não se manifestou sobre o parecer do MPE.

Em sua manifestação, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, considera haver provas suficientes de que Canella tem envolvimento com organizações criminosas. Ele sustenta que o TSE já consolidou entendimento para impedir que candidatos ligados a organizações paramilitares ou similares participem da disputa eleitoral, independentemente de haver condenação transitada em julgado.

Para Espinosa, o veto à candidatura se baseia na regra prevista no artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe a influência desses grupos nos partidos políticos. Com isso, ele pede ao TSE que reforme a decisão do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), que havia liberado a candidatura.

O vice-procurador-geral argumenta que o tribunal regional tomou a decisão sem ter acesso às provas do inquérito número 5.020/DF, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, cujo sigilo só foi retirado pela Suprema Corte neste mês.

Espinosa aponta como outros sinais da relação de Canella com o crime organizado o fato de ele ter mantido, quando era deputado estadual, a esposa de um líder do grupo miliciano conhecido como "Bonde do Jura", em um cargo em seu gabinete.

Aponta ainda que, ao assumir a Prefeitura de Belford Roxo, em 2025, ele nomeou líderes de milícias da região para duas secretarias. Um deles já era condenado pela Justiça pelo crime de constituição de milícia e o outro respondia a processo por extorsão e porte ilegal de arma, pelos quais foi condenado posteriormente.