MP Eleitoral aponta ligação de Canella com a milícia e pede ao TSE para negar registro da candidatura

24/10/2026 09h36 Atualizado 24/10/2026 12h37 A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre o registro de Márcio Canella como deputado estadual do Rio de Janeiro. O Ministério Público destaca que o segu

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MP Eleitoral aponta ligação de Canella com a milícia e pede ao TSE para negar registro da candidatura

24/10/2026 09h36 Atualizado 24/10/2026 12h37

A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre o registro de Márcio Canella como deputado estadual do Rio de Janeiro. O Ministério Público destaca que o segundo parlamentar mais votado para a Assembleia Legislativa nomeou lideranças da milícia para o primeiro escalão da prefeitura de Belford Roxo e hoje é investigado por integrar organização criminosa armada.

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"É possível afirmar a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada", destacou o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa.

Em parecer assinado nesta sexta, Espinosa destacou a Constituição não permite que "partidos políticos se utilizem de organização paramilitar sob nenhuma forma ou sob nenhum pretexto". Ele destacou que o TSE proibiu a candidatura de integrantes de organizações criminosas para evitar a interferência das mesmas no processo eleitoral e sua infiltração no Estado.

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Espinosa pediu que o Tribunal aceite um recurso contra o deferimento do registro de candidatura de Canella, dando ênfase à sua prisão preventiva no último dia 15, após a eleição, na Operação Unha e Carne. Segundo o Ministério Público, as provas mostram a "estreita vinculação" do deputado eleito a milícias da Baixada Fluminense.

O parecer destaca, por exemplo, que quando deputado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Canella nomeou a mulher de um líder miliciano para cargo em seu gabinete. Depois, quando prefeito de Belford Roxo, o político nomeou como secretários pelo menos duas lideranças milicianas na região, ressalta ainda o documento. Ambos os nomeados tentaram se lançar candidatos na eleição de 2024, mas a Justiça Eleitoral barrou as candidaturas, justamente pelo envolvimento com organizações criminosas.

Além disso, o parecer destaca que Canella é investigado por pertencimento a organização criminosa armada "voltada ao domínio ilícito do setor de combustíveis no Rio de Janeiro". "A apuração atribui-lhe o papel de articulador político do grupo, apontando sua atuação na indicação de cargos de cúpula da segurança pública e indícios de recebimento de repasses financeiros em espécie, provenientes do esquema", destacou Espinosa.

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Canella foi preso no dia 15 de outubro sob suspeita de integrar uma organização criminosa que usaria uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. De acordo com Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Na representação em que pediu a prisão de Canella, a PF apontou Canella como "patrono político" e "articulador de alto escalão" de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. Segundo os investigadores, Canella seria o elo entre o poder público, uma rede de postos de combustíveis utilizadas para a lavagem de dinheiro do crime organizado e integrantes do grupo alvo da mais recente fase da Operação Unha e Carne.

Ainda de acordo com a PF, a organização criminosa integrada por Canella tem um "ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais". A corporação diz que o grupo estabeleceu "pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política".

"A inserção 'Márcio Canella' nesse ecossistema paramilitar traduz-se em atos concretos de favorecimento e cooptação. A comprovação dessa alegação foi a nomeação de ex-vereadores sob investigação por liame miliciano ao seu quadro de secretários municipais em Belford Roxo", destacou a corporação ao pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a abertura de operação que levou à prisão de Canella nesta manhã.

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