Mostra de Cinema me deu memórias suficientes para preencher todo o jornal

Evento essencial dos últimos 50 outubros da capital paulista, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é parte do calendário cultural da maior cidade da América do Sul.

Por Admin ·

Mostra de Cinema me deu memórias suficientes para preencher todo o jornal

Acompanho a Mostra desde 1990. Ou seja, desde a 14ª edição. Primeiro, vendo um filme ou outro, conforme os compromissos da faculdade deixavam. Depois, com permanente integral comprada para ver os filmes com mais facilidade. E nos últimos 20 anos, como jornalista credenciado.

Foram muitas as sessões marcantes que presenciei ao longo desses anos todos. Algumas delas de filmes que hoje são quase impossíveis de se ver, ao menos em boa qualidade de imagem.

"O Rio dos Vagalumes", 1987, de Eizo Sugawa , por exemplo, passou numa sessão antológica no Cinesesc , dentro da 20ª Mostra, em 1996, e nunca mais, até onde sei. Foi uma sessão que me fez sair de pernas bambas de tanta emoção. Na trama, menino e menina pré-adolescentes se apaixonam. No clímax, eles se encontram perto do rio dos vagalumes, e a mágica se faz, mais uma vez, num filme cheio de grandes momentos.

Nunca mais consegui rever este que, na época, considerei um dos filmes mais lindos que havia visto. "Raros Sonhos Flutuantes", exibido na mesma edição, é quase tão bom e um pouco menos raro, pois a própria Mostra o reprisou em 2012, em homenagem ao cineasta Carlos Reichenbach , admirador de Sugawa, que acabara de falecer.

Outro filme que desapareceu e não encontrei nem em Buenos Aires foi "El Acto en Cuestión", do grande cineasta argentino Alejandro Agresti , atração da 18ª Mostra. Agora até deve ter por aí. Mas passei anos tentando rever, sem sucesso, ao menos em cópias decentes.

Visto também no Cinesesc, esse filme meio surrealista de 1993 tem algumas das sequências mais marcantes que vi na Mostra. O conhecimento posterior de outros filmes do cineasta, como "El Viento se Llevo lo Que", exibido na 23ª edição, me diz que, na revisão, o sentimento seria o mesmo.

Também na 18ª edição, uma das mais importantes para a minha cinefilia, foi exibido o polonês "Corvos", de Dorota Kedzierzawska, uma das maiores cineastas da Polônia . Uma menina de nove anos, negligenciada pela mãe prostituta, tenta reproduzir o que acha que deve ser o amor materno com uma menina de três anos que raptou na vizinhança.

Dizer que é tocante e sensível é ficar só na superfície desse filme inesquecível, felizmente disponível no YouTube com legendas em português, embora a qualidade da imagem não seja das melhores.