Mostra abre nove jardins à visitação no Vale do Café e no Vale das Videiras

31/10/2026 09h41 Atualizado 31/10/2026 09h41 O que um jardim pode revelar sobre quem o criou? Mais do que flores, árvores e composições paisagísticas, alguns espaços guardam histórias, memórias afetivas e até maneiras particulares de enxer

Por Admin ·

Mostra abre nove jardins à visitação no Vale do Café e no Vale das Videiras

31/10/2026 09h41 Atualizado 31/10/2026 09h41

O que um jardim pode revelar sobre quem o criou? Mais do que flores, árvores e composições paisagísticas, alguns espaços guardam histórias, memórias afetivas e até maneiras particulares de enxergar o mundo. É a partir dessa ideia que nasce a 1ª Mostra de Jardins do Vale do Café & Vale das Videiras — Entre Vales, que abre ao público nove jardins da serra fluminense entre este sábado (31) e 21 de novembro. O circuito reúne propriedades particulares, algumas delas abertas excepcionalmente para a ocasião, e propõe uma experiência que mistura paisagismo, botânica, arte, sustentabilidade e turismo.

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Idealizada por Cristina Braga, harpista e criadora do Uaná Etê Jardins Culturais , a iniciativa nasceu de uma curiosidade cultivada ao longo dos anos: conhecer os jardins e as mulheres por trás deles. Para Cristina, cada espaço carrega traços da personalidade, das escolhas e da trajetória de suas responsáveis.

— Fui conhecendo cada um ao longo dos anos, fui conhecendo estas mulheres, com trajetórias únicas espelhadas em seus jardins. Acho que o público vai amar descobrir essa sensibilidade muito própria, essa coragem, esse desejo de privacidade em alguns, a vontade de mudar o mundo em outros — conta.

A proposta vai além de passear por paisagens bonitas. Os encontros, com duração de aproximadamente uma hora e meia a duas horas, serão conduzidos pelas próprias anfitriãs, que vão compartilhar conhecimentos sobre cultivo, escolha de espécies, composição paisagística, manejo do solo e preservação ambiental. Cristina define a experiência como um “mini MBA natural ao ar livre”, especialmente para quem decidir percorrer todos os espaços.

Há jardins com esculturas, intervenções artísticas e elementos de land art; outros apostam na agricultura sintrópica, em bosques, pomares e espécies nativas. Na Fazenda Velha de Santa Rita, em Vassouras, a paisagista Beatriz Calmon apresenta instalações de arte contemporânea que integram plantas, água e pedras. Já no Sítio Santa Maria, casa de campo da família Orleans e Bragança, Maritza Orleans e Bragança abre pela primeira vez ao público seu jardim de esculturas.

No Vale das Videiras, a ambientalista Bárbara Pellegrini recebe os visitantes nos jardins da Casa Ecotudo e do Viveiro Muda Tudo, com foco em plantas nativas e técnicas ecológicas. Também na região, a urbanista Teresa Serra apresenta o jardim tropical de altitude da Fazenda São Pedro da Jurea, onde o trabalho de recuperação da vegetação em encostas e margens de rios está entre os assuntos da conversa.

A diversidade também aparece nas propriedades rurais. Na Fazenda das Palmas, em Engenheiro Paulo de Frontin, Luiza Braga aborda jardins orgânicos, agricultura sintrópica e espécies afetivas. Em Vassouras, a Fazenda Cachoeira Grande reúne árvores esculturais e composições paisagísticas em torno de um lago, enquanto a Fazenda Floresta apresenta os cuidados com os jardins de uma propriedade dedicada à produção de leite.

Para Cristina, uma das particularidades desses espaços está justamente no tempo dedicado à sua criação. Um jardim, observa ela, atravessa diferentes etapas: o sonho, a imaginação, o crescimento e a entrega. Árvores e trepadeiras podem ultrapassar a vida de quem as plantou, acompanhando gerações e incorporando novas histórias.

— A escolha de uma planta tem que vir de uma grande escuta. A planta em um jardim vai te acompanhar a vida inteira, provavelmente. Não é como uma roupa ou um carro, transitórios. Árvores e trepadeiras ultrapassam nosso tempo — diz.

A preocupação ambiental é outro ponto em comum entre as anfitriãs, embora cada uma desenvolva suas próprias soluções. Algumas têm trajetória profissional ligada à preservação, outras investiram na recuperação de áreas verdes ou na produção orgânica. Na Fazenda das Palmas, por exemplo, a propriedade também produz a cachaça orgânica Pindorama e cafés. Cristina acredita que a procura por experiências em meio à natureza deve crescer.

— Nossa geração sente na pele a falta que a natureza faz. O destino natureza, o assunto natureza virou, e será cada vez mais presente — afirma.

A programação inclui ainda pequenos sabores inspirados nas flores, com degustações, chás e refrescos ao fim das visitas. Em três encontros, a música também entra em cena: Cristina fará um minirrecital de harpa no Uaná Etê; a Fazenda Floresta terá um recital lírico; e, no Vale Zirá, em 14 de novembro, o cantor Cláudio Nucci se apresenta depois de uma experiência que inclui almoço com gastronomia floral.

Inspirada em circuitos de visitação a jardins tradicionais de países como França, Inglaterra e Itália, a mostra aposta no potencial turístico da região, a pouca distância da capital fluminense. Para Cristina, o Vale do Café e o Vale das Videiras reúnem os ingredientes necessários para se tornar referência nesse tipo de roteiro: estradas bonitas, patrimônio histórico, natureza e espaços que contam histórias particulares.

— É um trajeto lindo, por estradas lindas, com histórias lindas e muito conhecimento, pertíssimo do Rio de Janeiro e do aeroporto. Já já o Brasil terá muitos circuitos de jardins. É uma sede que está brotando: que muitas pessoas se levantem para convidar a humanidade a passear num jardim. É vida de verdade — resume.

A 1ª Mostra de Jardins do Vale do Café & Vale das Videiras — Entre Vales acontece de 31 de outubro a 21 de novembro, em datas e horários específicos para cada propriedade. Os ingressos custam a partir de R$ 180 e estão à venda pelo Sympla.

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