Raimundo Feliciano Natividade Baptista nasceu em Lisboa , mas aos 18 anos se mudou para Umuarama, no interior do Paraná , para não ser obrigado a servir o serviço militar português. De origem humilde, veio sem nada e prosperou do outro lado do Atlântico.
No início, a partir da indicação de um amigo, foi trabalhar em uma padaria. Bom comunicador, não demorou para se firmar como representante comercial em Blumenau (SC) , para onde havia mudado.
Foi numa das vendas para uma loja de roupas que conheceu Elfrida, uma viúva de origem alemã, com quem se casou.
A empresa para a qual trabalhava fez uma expansão dos negócios para São Paulo e veio mais uma virada. Raimundo foi com a família — Elfrida tinha uma filha, Maísa— para o interior paulista.
Como para eles morar na capital paulista seria desafiador demais, escolheram Jundiaí , cidade próxima da Grande São Paulo.
"Considero meu pai um guerreiro, pois veio de outro país muito jovem e sem dinheiro para vencer na vida por aqui. Isso requer muita coragem", diz a jornalista Patrícia Baptista, 50. "Daria um filme."
Por um bom tempo trabalhou como representante comercial, mas resolveu empreender. Montou uma confecção que ocupava um dos andares da casa construída por ele no bairro do Vianelo. O negócio não durou muito, e Raimundo voltou a trabalhar como vendedor até se aposentar.
O português não teve a oportunidade de fazer curso superior, mas era uma pessoa extremamente culta pela quantidade de informações que consumia. Chegou a ser assinante de cinco jornais ao mesmo tempo, além de ser leitor de revistas como Quatro Rodas — carro era outra de suas paixões.
Era uma pessoa sempre bem-humorada, mas rígida na formação dos filhos.
Gostava de futebol —torcia para o Sporting, de Portugal , e pela Portuguesa, no Brasil. Na última Copa do Mundo , acompanhou os jogos de Cristiano Ronaldo até a seleção de Portugal ser eliminada pela Espanha.
Raimundo e Elfrida se separaram. Ele voltou para o Sul e passou seus os últimos anos em Balneário Camboriú (SC).
A devoção por Nossa Senhora de Fátima foi outra herança que trouxe de seu país. No último dia 15 de outubro, católicos da associação Arautos do Evangelho levaram uma imagem da santa ao hospital onde ele estava internado por causa de um câncer de próstata. Morreu, aos 86 anos, poucos minutos depois de colocar a mão na estátua.
Raimundo Feliciano Natividade Baptista deixou os filhos Raimundo e Patrícia, as netas Luana, Isabela e Ana Laura, e a companheira Noeli.