A origem privilegiada de Carlos Nascimento Pedreira constrastava com sua simplicidade em viver e se relacionar com as pessoas. Ostentação, badalações ou ambientes muito sofisticados não lhe agradavam.
Ele gostava era de conversa espontânea, com pessoas comuns, começando qualquer diálogo com a mesma pergunta: "Você está precisando de alguma coisa?".
Sua diversão era a música popular , o samba de raiz e o pagode . Adorava o Carnaval e uma partida de futebol. Fosse do Bahia, seu clube do coração, ou do Gute Gute, time amador dos amigos, que ajudou a criar e a comandar.
Ainda menino, nascido em Salvador (BA), já demonstrava paixão pelos animais. Ficava encantado com as atividades na fazenda da família, no interior baiano, seu santuário, onde passava horas conversando com moradores da região, ouvindo suas histórias e aprendendo com suas experiências. Esse interesse pelas pessoas o acompanharia durante toda a vida.
Formado em administração de empresas , Carlos gostava de planejar, coordenar, mobilizar e fazer as coisas acontecerem. Começou em 1980 como estagiário na Construtora Odebrecht , onde cresceu profissionalmente, integrando a equipe de expansão internacional da empresa, chegando à direção de um dos braços da construtora, a Tenenge.
Em sua trajetória, chamou atenção pela visão estratégica, capacidade de execução, disciplina de gestão, formação de equipes e desenvolvimento de lideranças. Em 1992, fundou a CNP Participações Holding de Investimentos, que mais tarde se tornaria o Grupo GPS, de serviços terceirizados, o qual conduziu até 2002.
A empresa abriu capital na B3 , principal bolsa de valores do Brasil, e levou a família a uma das maiores fortunas do país, segundo a Forbes.
"Ele enxergava o trabalho não apenas como fonte de realização e geração de riqueza, mas como instrumento de formação humana, dignidade e transformação", observa a filha, Fernanda Pedreira, destacando que o pai era um líder carismático, de disciplina rigorosa, visão empresarial clara e grande capacidade de realização.
De personalidade forte, era alegre, generoso e agregador, transmitindo segurança, especialmente à família.
"Escutava, procurava entender o lado de cada pessoa e pesava todas as alternativas antes de aconselhar. Depois de uma conversa com ele, enxergava-se o mundo maior do que antes. Tinha o maior coração que conheci", diz a filha.
Casado com a advogada Verônica Didier desde 1982, teve três filhos, aos quais ensinou pelo exemplo, mostrando que a verdadeira grandeza está na simplicidade, e que é preciso servir e fazer o bem sem querer nada em troca, conta a esposa.
Ela lembra que Carlos transitava com a mesma naturalidade da roda social ao lugar mais simples, conversando com todos, sempre querido.
"Tinha prazer em ajudar, em fazer a diferença na vida das pessoas. Tratava todos com o mesmo respeito e carinho", recorda Verônica. "Foi um homem que pensava grande, mas jamais se considerou maior do que ninguém."
Carlos morreu em 22 de setembro, aos 71 anos, de causa não divulgada pela família. Deixa a mulher, 3 filhos e 2 netos.