O som rústico —como o de um chicote— por ele produzido com a percussão complementava a interpretação de Jair Rodrigues , que dava voz ao despertar de um boiadeiro para as injustiças sociais, composto por Geraldo Vandré e Théo de Barros.
Manini não sabia (e até mesmo dizia torcer para a concorrente, de seu amigo Chico Buarque ), mas vivenciava um momento histórico: o empate de "Disparada" e "A Banda" no 2º Festival de Música Popular Brasileira .
Ele dizia que esse foi o seu período de "músico acidental". Enquanto se formava arquiteto na USP ( Universidade de São Paulo ), apresentou-se na icônica montagem de "Arena Conta Zumbi" , com texto de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal , música de Edu Lobo e cenografia de Flávio Império . E no show "Esse Mundo é Meu", com Sérgio Ricardo e Toquinho , entre outras experiências.
Anos antes disso, na juventude, já era conhecido pela animação nos blocos de Carnaval que ajudava a organizar em Mococa, no interior de São Paulo . Memórias daqueles tempos estavam entre as suas histórias mais frequentes. Amigos o descreveram, afinal, como "gente finíssima".
Na arquitetura e no urbanismo, Manini produziu até os seus últimos anos. A principal parceria foi com Joaquim Guedes , referência no planejamento de cidades, com quem trabalhou até 1996, por 33 anos e de quem virou sócio ao longo da carreira.
Desse período, orgulhava-se especialmente de ter participado de projetos de planejamento urbanístico de distritos de Barcarena (PA) e Jaguarari (BA). "Para ele, a arquitetura tinha também essa dimensão humana, de pensar a cidade a partir das pessoas", conta a filha, Mariana.
Entre os amigos e a família, gostava de cozinhar (e de comer), especialmente das gastronomias italiana, espanhola e brasileira. Bons restaurantes eram certeza no roteiro que montava para as suas viagens, bem como obras arquitetônicas e museus.
"Encontrava prazer tanto em conhecer novos lugares quanto em descobrir um bom prato ou revisitar uma música favorita", descreve a filha.
Distante dos palcos nas últimas décadas, manteve a forte ligação com a música. Era grande conhecedor de jazz , principalmente orquestras, big bands e pianistas, prezando sempre por experiências com boa qualidade de som, a fim de garantir absoluta nitidez sonora.
"Era alguém que gostava de compartilhar o que sabia, de apresentar uma música, contar a história de um arquiteto ou despertar nos outros o interesse por algo que o encantava. Deixou, sobretudo, a vontade de conhecer, apreciar e compartilhar", completa Mariana.
Luiz Fernando Manini morreu em 6 de outubro, aos 84 anos. A causa não foi divulgada. Deixou a mulher de mais de cinco décadas, Marli, uma filha, Mariana, e os dois netos, Felipe e Rodrigo.