Mortes: Da marcenaria ao vidro, autodidata desenhava projetos complexos com precisão técnica

Uma baratinha subindo pela manga da camisa durante o expediente na feira era o tipo de percalço que rendia gargalhadas anos mais tarde no almoço de domingo. Primeiro emprego de Gilberto Munhoz, o trabalho entre as bancas marcou o início de

Por Admin ·

Mortes: Da marcenaria ao vidro, autodidata desenhava projetos complexos com precisão técnica

Nascido em 15 de janeiro de 1953 em São Paulo , Gilberto cresceu no bairro do Tatuapé, zona leste paulistana, rodeado por uma família numerosa de 11 irmãos.

Filho do segundo casamento de seus pais (uma italiana e um espanhol), teve uma infância simples e feliz, jogando bola e brincando na rua. Deixou a escola na antiga quinta série para trabalhar e ajudar em casa.

A transição da feira para a marcenaria ocorreu pelas mãos de um irmão. Na oficina, que ficava em frente à casa de sua futura esposa, Irma Lacanna, Gilberto não apenas aprendeu um ofício, mas encontrou o amor. O namoro, vigiado de perto pelo sogro rigoroso, exigia que uma cunhada sempre os acompanhasse nos passeios.

A convivência próxima fez com que ele criasse laços profundos com a família da primeira namorada. Gilberto e Irma se casaram aos 21 anos e permaneceram juntos por cinco décadas, marca celebrada com festa de bodas de ouro.

Depois de anos à frente de sua própria marcenaria na Vila Formosa, zona leste, enfrentou reveses financeiros que levaram a empresa à falência. A crise exigiu uma mudança temporária para o Ipiranga, onde a família foi acolhida de favor na casa de uma tia viúva.

Naquele bairro, Gilberto criaria raízes. Aos poucos, com o empenho das filhas que já trabalhavam e o auxílio de parentes, ele conseguiu se reerguer, comprou um terreno na mesma rua de sua sogra e construiu a casa onde viveu pelo resto da vida.

A grande virada profissional veio a convite de um tio materno, que o chamou para assumir uma sociedade na área vidreira. Gilberto prosperou no segmento e fundou a Show Glass, vidraçaria que mais tarde passou ao comando de uma de suas filhas. Mesmo sem formação acadêmica, desenhava projetos detalhados e executava cálculos técnicos para arquitetos com precisão impecável.

Pai presente, fazia questão de oferecer o melhor para a mulher e os quatro filhos, mantendo com eles um afeto demonstrado em apelidos e brincadeiras diárias. Teve no primeiro neto um companheiro de conversas, viagens à praia e caipirinhas.

Corintiano roxo, lidava com bom humor com o fato de a família ser palmeirense. E não abria mão de suas paixões: futebol , passeios em família e as partidas de dominó com os amigos aos domingos.

"Ele foi o homem mais correto e mais generoso que eu já conheci", afirma sua filha Joana Anita Munhoz de Mello, 49, orientadora educacional.

Gilberto morreu em 30 de setembro, aos 73 anos, em decorrência de um câncer de pulmão . Deixa a mulher, Irma, os 4 filhos (Joana, Leandro, Priscila e Maria) e 8 netos.