Mortes: Culta e discreta, foi professora e grande conselheira da família

Os alunos tinham certeza de que dona Mieko era boazinha demais para perceber quem colava nas provas. O erro deles foi dizer isso em voz alta. Quando ouviu, Mieko citou o nome de cada um dos infratores e recolheu as provas de quase metade da sala. Todos saíram

Por Admin ·

Mortes: Culta e discreta, foi professora e grande conselheira da família

Nascida em 1952 em Caporanga, distrito de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo , ela veio de uma família de imigrantes japoneses. A mãe e o pai, descendente de samurais e jurado para a guerra, chegaram ao Brasil no início dos anos 1930.

Ambos se conheceram na lavoura. Mieko teve uma infância de subsistência. O pai chegou a abrir uma horta e vendia verduras numa carroça. Foi assim que formou os filhos.

Mieko cursou estudos sociais na antiga Fafija (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho), no Paraná . Começou a lecionar em Coronel Macedo (SP) e pouco depois conseguiu aulas em São Pedro do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo, onde construiu família.

Era boazinha, mas enchia o quadro de conteúdo e dizia que os alunos deviam copiar rapidamente porque haveria uma segunda rodada de matéria logo em seguida.

Eram tempos de mimeógrafo e máquina de escrever. Aos sábados, três ou quatro professoras se reuniam na casa dela para preparar as provas que seriam aplicadas nas semanas seguintes.

A filha Viviane Kiyomi Tanaka Tullii não chegou a ter aulas com a mãe, mas virou ajudante na correção das provas quando chegou à quinta série. "Eu olhava e falava ‘Mãe do céu, como você entende essas letras?’. Ela dava risada", conta.

Discreta, Mieko raramente dava opinião sem ser chamada. Quando decidia falar, porém, todos paravam para ouvir. "No começo, eu estranhava. A gente puxava um assunto e ela dizia nada. Mas de repente dava uma aula", conta o genro Leandro Alvarenga Gomes Tullii.

Seus maiores ensinamentos, segundo ele, foram os conselhos sempre propositivos. Ensinou cedo à filha que aprender a cozinhar é o primeiro passo para a independência e nunca reclamou de nada. Gostava de sopa, de nabo e de peixe, mas não era muito afeita a carne vermelha.

Mieko se casou com Edson Tanaka, que morreu em 2004, e ajudou a criar os três netos. Ela morreu em 6 de outubro, aos 74 anos. Deixa a filha Viviane e os netos Edson, Felipe e Giovana.