Mortes: Conviveu com o tio-avô Santos Dumont e preservou sua memória

Quando Jorge Henrique Dumont Dodsworth nasceu, em 25 de agosto de 1926, seu tio-avô Alberto Santos Dumont estava vivo. O pai da aviação costumava visitar com frequência os parentes no Rio de Janeiro . Foi em uma dessas passagens que o aviad

Por Admin ·

Mortes: Conviveu com o tio-avô Santos Dumont e preservou sua memória

Quando Jorge Henrique Dumont Dodsworth nasceu, em 25 de agosto de 1926, seu tio-avô Alberto Santos Dumont estava vivo. O pai da aviação costumava visitar com frequência os parentes no Rio de Janeiro . Foi em uma dessas passagens que o aviador consertou a bicicleta do garoto e o ajudou a dar as primeiras pedaladas.

Essa conexão familiar vinha do avô materno de Jorge, Henrique Santos Dumont, irmão mais velho do aviador. Sua mãe, Sophia, era sobrinha direta do pioneiro que fez em Paris o primeiro voo público registrado da história com o 14-Bis , há 120 anos, em 23 de outubro de 1906.

Do casamento de Sophia com Jorge de Toledo Dodsworth nasceu Jorge Henrique, consolidando a linhagem carioca dos Dumont.

A história da família se entrelaça com a própria memória da aviação brasileira. Após a morte do inventor, em 1932, parentes temiam saques e invasões à Encantada, pitoresca casa de verão que Santos Dumont projetou em Petrópolis (RJ), em meio aos conturbados dias da Revolução Constitucionalista .

Os pertences do aviador foram transferidos para o porão da casa da família de Jorge no bairro do Flamengo, no Rio , onde permaneceram guardados por anos até serem devolvidos em segurança à Encantada.

Entre essas relíquias estavam troféus, vestimentas, objetos pessoais e mais de 2.000 recortes de jornais de época do mundo todo que o próprio Santos Dumont colecionava em baús.

Jorge era advogado, mas passou boa parte da vida seguindo a tradição dos pais ao atuar como o guardião da memória do tio-avô famoso. Era ele um dos elos entre pesquisadores, historiadores e a intimidade do inventor.

A lembrança do tio-avô, que morreu quando ele tinha 5 anos, ficou registrada em "Brasileiros Voadores - 300 Anos Pelos Céus do Mundo", obra que conta três séculos de tradição brasileira na navegação aérea e resgata memórias afetivas de infância e documentos familiares inéditos sobre seu célebre tio Alberto.

Jorge foi o responsável direto pela doação de dezenas de objetos pessoais e documentos originais que hoje compõem o acervo do Museu Casa de Cabangu - Casa Natal de Alberto Santos Dumont, no município mineiro que agora leva o nome do inventor.

Mais do que doador, Jorge bancava do próprio bolso a confecção da Medalha Mérito Cabangu, comenda que ele idealizou em 2005 e da qual foi patrono —posto agora assumido por seu sobrinho, o economista aposentado Alberto Dodsworth, 83.

"Na minha geração, a família Santos Dumont ficou enorme, mas pouquíssimos se dedicaram a preservar e divulgar a história dele como Jorge. Ele era esse elo fundamental de ligação com o passado", afirma Alberto.

A medalha criada por Jorge já foi entregue a cerca de 200 personalidades que ajudam a preservar o legado do aviador, segundo Tiago Guimarães, presidente da Fundação Casa de Cabangu.

"Jorge enriqueceu nosso acervo junto com sua esposa, Maria Odila, e nos deu credibilidade para preservar a história de Santos Dumont."

Jorge Henrique era o último parente a ter convivido com Santos Dumont. Ele morreu no feriado de 12 de outubro, no Rio, aos 100 anos. Deixou três filhos, netos e um legado imenso.