Mortes: Apaixonado por carros, ajudou a contar a história do automóvel

Quando Aluísio Prandini estacionou um Ford Skyliner todo deteriorado nos fundos da loja de autopeças da família, houve quem duvidasse que aquela banheira da década de 1950 um dia voltaria a rodar. Mas, pouco a pouco, com a ajuda de um amigo funileiro, o carrão

Por Admin ·

Mortes: Apaixonado por carros, ajudou a contar a história do automóvel

Demorou —a capa dos bancos só foi encontrada em uma feira nos Estados Unidos , por exemplo—, mas o imponente conversível de capota rígida, vermelho e branco, ficou pronto. E se tornou cartão de visitas de um dos mais respeitados colecionadores de carros antigos de Jundiaí, no interior paulista .

Desde criança, Aluísio Prandini, o "Bororó e 37 Acessórios", apelido que fazia referência à loja de peças, foi um apaixonado por automóveis.

Filho homem mais velho de um ex-taxista e comerciante, começou a trabalhar ainda adolescente na distribuidora de bebidas da família.

Entrou no mundo das quatro rodas em 1968, quando o pai enxergou uma oportunidade de negócio e comprou a recém-inaugurada autopeças Bororó. A loja continua como referência no interior de São Paulo .

"Ele já gostava de carros e, a partir daí, virou a paixão da vida dele", conta o filho Sérgio Prandini Neto, 53.

Pioneiro, foi um dos fundadores do Clube do Carro Antigo de Jundiaí, no início dos anos 1980. "Outro dia achei sua carteirinha de sócio número 1", afirma Neto.

Incentivou a realização de encontros de colecionadores —evento tradicional no município— e estimulou outras pessoas a cultivar uma paixão como a dele.

A garagem de casa chegou a ser uma espécie de minimuseu do automóvel regional. Ainda hoje estão estacionados lá um Chevrolet 1947 e um Ford Galaxie ano 1967, que usava para fazer viagens longas — levou a família nele até Camboriú, por exemplo.

"Tem uma foto de minha mãe grávida de mim no Chevrolet", afirma o filho mais velho de quatro irmãos.

Aos domingos, o passeio era pelos ferros-velhos do interior, onde garimpava peças usadas , como relógios e frisos, que, se não servissem para seus carros, venderia depois.

Quando ligava a televisão, gostava de assistir a corridas de Fórmula 1 . Fã do tricampeão Nelson Piquet , uma vez levou o filho Sérgio para ver uma prova de 24 horas no autódromo de Interlagos. Com uma BMW, que quebrou durante a competição, por pouco o ex-piloto de F1 não chegou em primeiro lugar.

Casado com Marines por 54 anos, sempre zelou pela família, pelos irmãos e pelos filhos.

Durante 32 anos, tratou um câncer raro e passou por mais de 20 cirurgias. Lúcido, sempre expressou sua vontade de viver.

Aluísio Prandini morreu em 15 de outubro, aos 77 anos. Deixou a mulher, Marines, os filhos Sérgio, Eduardo, Cristiane e Ana Cláudia, oito netos e dois bisnetos.