Sua morte foi confirmada por Ed Friedland, diretor administrativo do Distrito Sul de Nova York, onde Hellerstein atuou por quase três décadas. O caso de Maduro, assim como os demais processos conduzidos pelo juiz, será distribuído aleatoriamente a outros magistrados de Manhattan.
Hellerstein foi nomeado em 1998 pelo presidente Bill Clinton. Judeu ortodoxo profundamente religioso, era conhecido por marcar audiências de sentença às sextas-feiras para poder refletir sobre suas decisões durante o shabat, período de descanso semanal do judaísmo.
O juiz Frederic Block, do Distrito Leste de Nova York, lembrou Hellerstein como um magistrado "consciencioso e atencioso", muito comprometido em recorrer à Bíblia e à filosofia judaica. Ele considerava Hellerstein um amigo.
Ex-assessores, advogados de defesa e antigos promotores o descreveram como uma pessoa afável e empática, com tendência a proferir decisões baseadas em uma compreensão prática do direito. Durante alguns julgamentos, chegou a assumir dos promotores o questionamento de testemunhas para acelerar os trabalhos.
Em uma audiência realizada no início deste mês, Hellerstein presidiu a apresentação de Cilia Flores, mulher de Maduro, que também foi acusada de envolvimento com narcotráfico e de torturar o próprio povo, entre outras acusações. O juiz negou a Flores a liberdade enquanto aguarda o julgamento.
"Prisão não é um lugar agradável para se estar", disse Hellerstein. "Mas são acusações graves."
O caso mais conhecido de Hellerstein talvez tenha sido a extensa disputa civil decorrente dos atentados de 11 de Setembro. O processo tinha um significado pessoal para o juiz, que, quando era advogado em um escritório particular, representou a empresa Cantor Fitzgerald, que perdeu 658 funcionários no ataque ao World Trade Center, em Nova York.
Familiares de algumas vítimas dos atentados queriam um julgamento no qual as companhias aéreas fossem obrigadas a revelar de que maneira suas políticas podem ter permitido que os sequestradores embarcassem nos aviões.
As partes chegaram a acordos confidenciais, impedindo a realização do julgamento. Em entrevista ao The New York Times, Hellerstein reconheceu que o público poderia ter conhecido mais detalhes sobre as falhas das companhias aéreas.
"Mas isso é insignificante, na minha visão, diante do fato de que as pessoas que processaram para receber indenização receberam seu dinheiro."