"No início, só de chegar aqui você já chorava", conta enquanto observa as ruínas da antiga comunidade, cujas casas carregam as marcas da lama e dos saques ocorridos após o rompimento que matou 19 pessoas em novembro de 2015.
Ela, que há cerca de um ano mora no reassentamento construído nos processos de reparação , hoje diz que visitar o local lhe faz bem.
Mônica faz parte do movimento Loucos por Bento , que frequentemente ocupa Bento de origem, como chamam o território atingido, com festas e encontros para manter vivos os laços e tradições de um povoado que remonta ao século 18.
Tanto a expectativa de retorno ao espaço quanto a ocupação do espaço podem ser ameaçadas, entretanto, pela previsão de tombamento e desapropriação da região desde a homologação do Novo Acordo do Rio Doce, no fim de 2024 .
Para além da definição de uma indenização de R$ 170 bilhões a ser paga pela Samarco e pelas acionistas Vale e BHP , a repactuação define que a cidade de Mariana tombe os subdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, com vistas à construção de um memorial, e vincula a medida à desapropriação dos imóveis atingidos, fato que surpreendeu os antigos moradores.
"Um dos direitos historicamente conquistado pelas pessoas atingidas de Mariana foi o direito à não permuta", explica Marina Versiani Elias, coordenadora operacional da Cáritas MG, assessoria técnica independente que acompanha as comunidades atingidas.
Conquistado antes do acordo, o direito à não permuta garante aos atingidos lotes no novo Bento Rodrigues sem tirar das pessoas a posse das antigas casas. A nova decisão, por sua vez, prevê indenização pelo terreno a ser desapropriado e estipula bônus de 50% sobre o valor da área para aqueles que aceitarem a primeira proposta do município.