Moradores temem desapropriação em Bento Rodrigues depois de 11 anos da tragédia em Mariana

Mônica dos Santos, 41, integrante da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão, ainda nutre a esperança de voltar de forma definitiva ao território de Bento Rodrigues , devastado pelos rejeitos da mineradora Samarco , após 11 anos da tr

Por Admin ·

Moradores temem desapropriação em Bento Rodrigues depois de 11 anos da tragédia em Mariana

"No início, só de chegar aqui você já chorava", conta enquanto observa as ruínas da antiga comunidade, cujas casas carregam as marcas da lama e dos saques ocorridos após o rompimento que matou 19 pessoas em novembro de 2015.

Ela, que há cerca de um ano mora no reassentamento construído nos processos de reparação , hoje diz que visitar o local lhe faz bem.

Mônica faz parte do movimento Loucos por Bento , que frequentemente ocupa Bento de origem, como chamam o território atingido, com festas e encontros para manter vivos os laços e tradições de um povoado que remonta ao século 18.

Tanto a expectativa de retorno ao espaço quanto a ocupação do espaço podem ser ameaçadas, entretanto, pela previsão de tombamento e desapropriação da região desde a homologação do Novo Acordo do Rio Doce, no fim de 2024 .

Para além da definição de uma indenização de R$ 170 bilhões a ser paga pela Samarco e pelas acionistas Vale e BHP , a repactuação define que a cidade de Mariana tombe os subdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, com vistas à construção de um memorial, e vincula a medida à desapropriação dos imóveis atingidos, fato que surpreendeu os antigos moradores.

"Um dos direitos historicamente conquistado pelas pessoas atingidas de Mariana foi o direito à não permuta", explica Marina Versiani Elias, coordenadora operacional da Cáritas MG, assessoria técnica independente que acompanha as comunidades atingidas.

Conquistado antes do acordo, o direito à não permuta garante aos atingidos lotes no novo Bento Rodrigues sem tirar das pessoas a posse das antigas casas. A nova decisão, por sua vez, prevê indenização pelo terreno a ser desapropriado e estipula bônus de 50% sobre o valor da área para aqueles que aceitarem a primeira proposta do município.