Ben Gvir escreveu na rede social X que a agência de segurança Shin Bet deveria ordenar ainda nesta quinta a detenção de dirigentes que, segundo ele, têm envolvimento com recursos ilegais do Qatar .
Ministros israelenses da ultradireita que formam a coalizão liderada por Netanyahu acusam, sem provas, representantes de partidos árabes de terem recebido dinheiro do país do Golfo, que atua como mediador da guerra entre Israel e Hamas e, ao mesmo tempo, abriga líderes do grupo terrorista palestino. Segundo a imprensa israelense, autoridades eleitorais pediram nesta quinta ao Shin Bet que investigue as denúncias.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, reforçou as suspeitas de ilegalidade e defendeu a investigação de possível financiamento estrangeiro ilegal. Ele afirmou que as acusações devem ser apuradas e que os responsáveis, se identificados, precisam responder perante a Justiça.
Ao mesmo tempo, Herzog advertiu contra a estigmatização de toda a comunidade árabe, que compareceu às urnas em número recorde, segundo ele, para exercer seu direito ao voto e participar da democracia. Representantes das siglas árabes negam qualquer irregularidade.
Com 94% das urnas apuradas, os resultados ainda provisórios mostram que os partidos árabes Raam e Lista Unificada conquistaram, juntos, 17 cadeiras no Parlamento, um recorde para as legendas. O desempenho pode ser decisivo para a formação do próximo governo, já que nem o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu nem o bloco de oposição conseguiram maioria.
O partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados somam 53 das 120 cadeiras do Parlamento, contra 48 do bloco de oposição e 19 dos partidos árabes. Os resultados ainda podem variar, e pesquisas indicam que os dois principais blocos estão tecnicamente empatados e sem maioria clara.
Os israelenses foram às urnas em massa na primeira eleição desde os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 e das subsequentes guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Segundo a Comissão Eleitoral Central, a participação chegou a 77,7%, a maior desde 1999 —o voto não é obrigatório no país.
O próximo governo dependerá de negociações entre os partidos , já que os israelenses não elegem diretamente o premiê. Eles votam em listas partidárias, que recebem cadeiras proporcionalmente aos votos, desde que superem a cláusula de barreira de 3,25% dos votos, sem os quais um partido não pode ter representação no Knesset, o Parlamento israelense.
O ministro Ben Gvir, por sua vez, acumula polêmicas e declarações consideradas racistas. De ultradireita, ele defende políticas rígidas contra os palestinos e já provocou indignação ao defender a restrição da entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e incentivar a expulsão de todos os palestinos.
O político ganhou projeção ao defender extremistas judeus acusados de violência. Com frequência, ele usa um broche com o desenho de uma forca, símbolo de uma das bandeiras de sua gestão: a pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por terrorismo.
Em 2025, foi alvo de sanções de países como Reino Unido, Canadá e Austrália, sob acusações de incitar violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada.